Com apenas seis funcionários e R$ 5 milhões aportados pelo family office KagiaX Capital, a fintech fundada por um ex-executivo de Santander e Itaú BBA quer originar R$ 1 bilhão em crédito nos próximos 12 meses em um mercado que saltou de R$ 43 bilhões para R$ 140 bilhões.
A YouCred quer provar que é possível originar R$ 1 bilhão em crédito consignado privado nos próximos 12 meses com um time de seis pessoas. A aposta da fintech, fundada no ano passado por Leonardo Kogut, está em uma esteira de concessão quase inteiramente automatizada por algoritmos proprietários de análise de risco e prevenção a fraudes.
"Costumo dizer que, além de gerenciar colaboradores humanos, também sou CEO de um especialista de risco e um head de analistas, só que eles são automatizados, são algoritmos", afirmou o fundador em entrevista ao portal Startups.
O movimento acompanha a expansão do consignado para trabalhadores com carteira assinada. A criação da plataforma Crédito do Trabalhador e o fim da obrigatoriedade de convênio entre bancos e empresas simplificaram o desconto das parcelas em folha e dispensaram acordos prévios com o RH do empregador. O resultado apareceu rápido: a carteira de consignado CLT saltou de R$ 43 bilhões para R$ 140 bilhões em pouco mais de um ano.
Ainda assim, o volume permanece bem abaixo do consignado do setor público, hoje acima de R$ 300 bilhões — mesmo com a força de trabalho CLT sendo cerca de oito vezes maior que a de servidores. É essa distorção que sustenta a tese de crescimento da YouCred.
Na fintech, a contratação é feita pelo próprio trabalhador diretamente no site, sem aplicativo e sem espera por retorno de analistas, inclusive aos fins de semana. A validação da margem consignável e a aprovação acontecem de forma automática, com liberação via Pix. O caso mais rápido já registrado levou três minutos entre a solicitação e o recebimento do dinheiro.
O modelo elimina a intermediação de correspondentes bancários, o que, segundo a empresa, reduz riscos de vazamento de dados e de abordagens comerciais abusivas — dois problemas recorrentes na originação de consignado no país.
A operação hoje é financiada com recursos próprios e um aporte de R$ 5 milhões captado recentemente por meio da KagiaX Capital, family office do grupo do fundador. A expectativa é ampliar rodadas com o mesmo veículo e, caso o volume de originação continue escalando, recorrer a um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) para financiar carteiras maiores. Leonardo adianta que a fintech deve anunciar em breve uma nova captação.
Antes de empreender, o executivo passou cerca de cinco anos no Santander e, na sequência, pelo Itaú BBA, onde acompanhou produtos de crédito e desenvolveu algoritmos de compra e venda para diferentes mercados, incluindo câmbio. Depois, liderou a área de produtos da Vivara por cerca de dois anos. O empreendedorismo é herança de família: seu pai, Marcio Kogut, fundou a Mycon, fintech responsável pelo primeiro consórcio 100% digital do país.
Para o CEO, a disputa no setor deixou de ser sobre velocidade de lançamento. "Hoje em dia, o que importa não é a velocidade de entregar um produto, mas conseguir atrelar a confiança que você tem na sua inteligência artificial. O mais importante é a confiabilidade e a governança da IA", afirmou.
Fonte original: Startups


