Fundada em 2018 e transformada em unicórnio em 2024, a QI Tech usa a aquisição para entrar oficialmente em um dos mercados de crédito que mais crescem no país. O financiamento de veículos liberou R$ 283,4 bilhões em 2025, uma média de R$ 24 bilhões por mês, segundo dados do Banco Central. O valor da transação não foi divulgado.
A operação é a quarta aquisição da história da fintech e a primeira desde a compra da Singulare, em 2023. Ela também dá forma à ofensiva de consolidação que o CEO e cofundador, Pedro Mac Dowell, vinha sinalizando. Em entrevista concedida no mês passado, o executivo detalhou um plano de até R$ 4 bilhões em M&A como parte da preparação para uma abertura de capital na Nasdaq, projetada para meados de 2027 com valuation-alvo de US$ 15 bilhões.
Pelo roteiro apresentado à época, a QI Tech prevê ao menos três operações de M&A até o fim de 2026, mirando concorrentes e o reforço de áreas como custódia de FIDCs e DTVMs independentes, com alvos que somem entre R$ 300 milhões e R$ 500 milhões em Ebitda combinado. Para financiar as transações, a companhia afirma dispor de R$ 1 bilhão em caixa próprio, mais R$ 2 bilhões em linhas adicionais, e planeja estruturar o R$ 1 bilhão restante via troca de ações, mecanismo que ajuda a alinhar os fundadores das empresas compradas durante a integração.
Criada em 2023, a Autobanking atende hoje mais de 80 companhias e cerca de mil lojas de veículos pelo Brasil, com faturamento anual de aproximadamente R$ 50 milhões. A meta da QI Tech é elevar essa receita para cerca de R$ 300 milhões em 12 meses. No longo prazo, a vertical automotiva deve responder por 10% a 20% do faturamento total do grupo. Os fundadores da Autobanking, Fredy Evangelista e Heitor Orletti, tornam-se sócios da QI Tech com o negócio.
A plataforma opera integrada aos sistemas de lojas e concessionárias e atua no ponto de venda para reduzir o tempo de aprovação do financiamento de dias para minutos. Em um mercado concentrado em bancos tradicionais, a QI Tech afirma que não pretende se posicionar como banco de financiamento, mas como infraestrutura de conexão entre originadores e financiadores de crédito, descentralizando a operação por meio de FIDCs e outros veículos de securitização.


