A trajetória do fundador e CEO da Circuit Launch pouco tem de linear. Alex Dantas começou a estudar Direito na Universidade Católica de Goiás, hoje PUC Goiás, e mudou-se para os Estados Unidos para dançar balé clássico. Chegou a morar dentro do próprio carro em São Francisco.
Depois disso, comprou e vendeu imóveis até a crise do subprime derreter o mercado, serviu na Marinha americana, vendeu carros de luxo para clientes no Brasil e na China e montou empresas de software — algumas fracassaram, uma deu certo.
O reencontro profissional com a robótica, sonho que ele diz ter desde os cinco anos, veio apenas em 2016, quando encontrou um prédio industrial vazio em Oakland. De lá saiu a Circuit Launch, hoje com unidades em Oakland e Mountain View.
O projeto nasceu como uma mistura de coworking com makerspace e evoluiu para o que Dantas chama de "co-factory": ambientes compartilhados em que empresas desenvolvem protótipos, fabricam pequenos lotes e acessam infraestrutura industrial sem precisar montar uma fábrica própria.
O diagnóstico veio da própria operação. Ao reunir startups de hardware, o fundador percebeu que a maioria esbarrava em dois gargalos: infraestrutura para prototipagem e mão de obra qualificada.
Desde a inauguração da unidade de Oakland, em 2017, centenas de startups passaram pelo espaço. Entre elas está a 1X, fabricante de robôs humanoides que já levantou mais de US$ 100 milhões, e a Cartken, de robôs autônomos para transporte e entrega, com US$ 22,5 milhões captados no acumulado — a rodada mais recente, de US$ 10 milhões, foi liderada pela 468 Capital.
A ambição agora é maior. "Nosso objetivo final é reinventar a universidade. Queremos construir um campus em cada estado dos Estados Unidos até 2035, usando um modelo híbrido para ensinar engenharia mecatrônica", afirmou Dantas ao Startups.
A crítica ao modelo tradicional é de custo e de tempo. "Em um mundo em que você assiste um vídeo e em 15 minutos aprende a fazer algo, passar quatro, cinco anos na universidade não está fazendo muito sentido. Principalmente nos Estados Unidos, onde você pode chegar a pagar US$ 250 mil para chegar nesse patamar", avaliou.
A alternativa proposta são programas curtos, orientados por projetos e acompanhados por inteligência artificial, que identifica lacunas de aprendizado e sugere novos desafios conforme o aluno avança.
A frente educacional não roda dentro da Circuit Launch, mas na MechLabs, empresa criada pelo grupo para o modelo alternativo de ensino em mecatrônica. Ainda em modo fechado, já recebeu mais de 500 alunos em programas-piloto e deve abrir ao público até o fim deste ano.
Fonte original: Startups.com.br — https://startups.com.br/negocios/inteligencia-artificial/exclusivo-ex-bailarino-e-sem-teto-brasileiro-investe-em-robotica-no-vale/


