Fundada em 2008 dentro da incubadora da Unicamp, a Sofist nasceu como consultoria de testes de software depois que o cofundador Bruno Abreu trabalhou em um projeto da Receita Federal voltado à identificação de fraudes em importação e exportação. Ao longo dos anos, a empresa migrou o discurso de simples correção de bugs para qualidade de software desde o início do desenvolvimento.
O reposicionamento atual responde a uma mudança de cenário provocada pela inteligência artificial. Segundo Abreu, a popularização da IA generativa alterou a forma como o software é construído — e ampliou os riscos. "A velocidade com que a IA cria software é muito maior do que a capacidade das empresas de controlar os riscos que surgem nesse processo", afirma o executivo, que é CTO da companhia.
O foco recaiu sobre as APIs, interfaces que conectam sistemas e ganharam peso com o avanço dos agentes de IA, softwares capazes de executar tarefas de forma autônoma. Para a Sofist, muitas empresas ainda não monitoram essas interfaces de forma contínua, o que cria brechas que só aparecem quando o incidente já ocorreu.
A resposta foi a R/Pulse, desenvolvida ao longo de cerca de um ano e meio. A ferramenta aplica inteligência artificial para analisar APIs, identificar vulnerabilidades e simular cenários de ataque antes que as falhas sejam exploradas — abordagem batizada de segurança preemptiva, que busca prevenir incidentes durante o desenvolvimento e a operação em vez de apenas reagir a eles.
Os primeiros projetos deste ano, aplicados em organizações dos setores de agro, energia, financeiro, tecnologia, varejo e administração pública, dão a dimensão do problema. A empresa afirma ter identificado mais de 920 ameaças imediatas — cerca de um terço classificadas como críticas — e evitado uma exposição financeira superior a R$ 5,5 milhões. Os nomes dos clientes não são divulgados por políticas de confidencialidade.
A aposta comercial se concentra nos setores financeiro e de seguros, em que uma falha pode gerar multas regulatórias, indisponibilidade de serviços e perdas financeiras. Empresas de tecnologia também estão no radar, por dependerem da disponibilidade contínua de aplicações e APIs.
A meta é que a segurança preemptiva represente cerca de 30% do faturamento nos próximos 12 meses, o equivalente a aproximadamente R$ 6 milhões, sem abandonar a atuação em qualidade de software, que segue como principal fonte de receita. "Queremos ser uma das referências nesse mercado no Brasil", diz Abreu.


