Uma startup pernambucana quer provar que é possível construir software corporativo complexo em dias, e não em meses. Fundada oficialmente em fevereiro de 2026 e sediada no Porto Digital, em Recife, a Volund nasceu para operar com o que chama de "engenharia agêntica", um modelo em que agentes de inteligência artificial não são apenas ferramentas de apoio, mas participam ativamente de todo o ciclo de desenvolvimento de software.
A meta para o primeiro ano de operação é ousada: R$ 50 milhões de faturamento, com uma equipe que deve sair dos atuais dez contratados para 40 a 50 pessoas até dezembro. Outros dez profissionais já estão em processo de seleção.
"Vibe coding é legal, mas não é suficiente para operacionalizar uma empresa. Existe um gap técnico. Por exemplo, como você testa com a mesma velocidade? Ou, se não testa, não lança ou lança produtos mal acabados. O que a gente percebeu foi que precisava criar uma esteira agêntica, de ponta a ponta", afirma Vinícius Guedes, CEO da Volund.
A empresa é um desdobramento do Extreme Group, ecossistema de tecnologia com cerca de 2 mil colaboradores e faturamento anual de R$ 600 milhões. Vinícius também está à frente da Beyond, outra companhia do grupo, criada em 2019 com foco em tecnologia de nuvem e que hoje atua como venture builder. Foi dentro da Beyond que o modelo ganhou forma: em março de 2025, a equipe construiu uma primeira versão da esteira agêntica e a usou para reconstruir todos os produtos internos da empresa.
Na prática, o modelo funciona como uma linha de produção automatizada. Agentes de IA analisam reuniões e documentações para levantar requisitos, geram propostas técnicas e comerciais, decompõem o escopo em tarefas, escrevem e revisam código, executam testes e produzem a documentação de entrega, sempre com supervisão humana em pontos estratégicos. O resultado declarado é uma operação até 15 vezes mais produtiva que uma fábrica de software convencional, com times de duas a quatro pessoas entregando projetos que exigiriam equipes de oito a dez profissionais.
A Volund também criou um departamento batizado de RHA, sigla para Recursos Humanos e Artificiais, e opera com uma agente de IA chamada Vitória, que atua como uma espécie de chief of staff virtual com acesso a e-mails, reuniões e ao contexto completo da empresa.
A startup se posiciona como prestadora de serviços, não como SaaS, e cobra por entrega. Tem hoje oito projetos em andamento com cinco clientes, foco nos setores público, de saúde e financeiro, e mira expansão na América Latina e nos Estados Unidos. A empresa está aberta a rodadas de investimento, mas sem urgência: "O negócio já caminha por conta própria", diz o CEO.
Fonte original: Startups.com.br — https://startups.com.br/negocios/inteligencia-artificial/startup-de-pernambuco-quer-faturar-r-50m-com-esteira-agentica/



