A fabricante chinesa de robôs humanoides captou US$ 900 milhões no IPO e fechou o primeiro pregão valendo US$ 50,7 bilhões, mais de cinco vezes o valuation privado de US$ 9 bilhões, com um múltiplo de quase 1.200 vezes o lucro.
A Unitree Robotics estreou no Star Market, o segmento de tecnologia da Bolsa de Xangai, em 19 de agosto. As ações chegaram a subir mais de 600% durante o pregão e encerraram o dia com alta de 460%.
Com isso, a companhia atingiu valor de mercado de 342 bilhões de yuans, o equivalente a US$ 50,7 bilhões. Antes da oferta, a empresa era avaliada em US$ 9 bilhões no mercado privado. O IPO arrecadou US$ 900 milhões.
O apetite dos investidores ficou evidente na alocação. O lote destinado ao varejo foi subscrito mais de 5.500 vezes. O preço de fechamento coloca a empresa negociando a uma relação preço/lucro de quase 1.200 vezes.
Fundada em 2016 em Hangzhou por Wang Xingxing, e registrada oficialmente como Yushu Technology, a Unitree é uma das poucas fabricantes de humanoides do mundo que já opera no azul. Em 2025, a empresa registrou lucro líquido de 278 milhões de yuans, cerca de US$ 41,1 milhões, e enviou mais de 5.500 robôs humanoides.
Com a valorização, o patrimônio de Wang Xingxing ultrapassou US$ 12 bilhões, segundo a Reuters.
A companhia também tem exposição internacional relevante para o setor: mais de 40% da receita vem de fora da China, e os Estados Unidos respondem por até 18,4% das vendas.
Dois terços dos recursos captados na oferta serão direcionados a pesquisa, ampliação da capacidade de produção e desenvolvimento de modelos de inteligência artificial.
O contexto competitivo é agressivo. Entre 2020 e 2024, o número de empresas chinesas atuando no segmento triplicou. Projeções de mercado apontam que o setor de humanoides deve saltar de US$ 2 bilhões em 2025 para US$ 300 bilhões em 2035.
Há também riscos geopolíticos no radar. A FCC, agência reguladora de comunicações dos Estados Unidos, proibiu no mês passado a importação de futuros modelos de humanoides e quadrúpedes fabricados no exterior. O Pentágono, por sua vez, incluiu a Unitree em uma lista de empresas militares chinesas, classificação que a companhia nega.
Analistas veem a estreia como referência de preço para todo o setor. Para o BofA Global Research, a Unitree passa a funcionar como âncora de avaliação para concorrentes como Deep Robotics e Leju Robotics, ambas em processo de captação.
O desafio apontado por especialistas é de escopo. A empresa dominou o nicho de robôs voltados a pesquisadores e universidades, e agora precisa provar que consegue expandir para aplicações industriais e comerciais em escala, o que justificaria o múltiplo atual.
Fonte original: NeoFeed


