Levantamento da Sling Hub aponta alta de 21,8% no quadro de funcionários dos unicórnios brasileiros entre 2022 e 2026. As três fintechs sozinhas adicionaram 11,8 mil pessoas — mais do que o crescimento líquido de 10,1 mil de todo o grupo.
A Sling Hub divulgou um levantamento sobre a evolução do quadro de funcionários dos unicórnios brasileiros entre 2022 e 2026. O total saiu de 46,4 mil pessoas em 2022 para 50,9 mil em 2024 e chegou a 56,5 mil neste ano — alta de 21,8% no período.
A escolha da métrica foi deliberada. "A conversa sobre unicórnios ficou concentrada em valuation e captação, que são métricas de expectativa. Optamos por um indicador concreto de operação: pessoas. É uma das poucas métricas públicas e comparáveis entre empresas de capital fechado", afirma João Ventura, fundador e CEO da Sling Hub.
Os dados vieram dos perfis de LinkedIn de startups que são ou já foram unicórnios em 2022, 2024 e 2026. Para a visão consolidada, o estudo manteve um corte fixo — apenas empresas que já eram unicórnios em 2022 —, de modo que o crescimento agregado reflita contratação e não entrada de novas companhias na amostra. Plataformas de delivery e mobilidade foram excluídas por distorção causada pela presença de autônomos.
O avanço tem três nomes
O número agregado esconde uma concentração acentuada. Nubank, Stone e C6 Bank, juntos, ampliaram seus quadros em cerca de 11,8 mil funcionários no período — mais do que o crescimento líquido de todo o grupo, de 10,1 mil.
"Entre os demais unicórnios, o número de funcionários caiu de 28,7 mil para 26 mil entre 2022 e 2024 e chegou a 27 mil em 2026, recuperando apenas parte das perdas. Na prática, o crescimento foi alavancado por três fintechs", diz Ventura.
O setor de fintechs concentra quase metade dos unicórnios brasileiros e é o que mais pesou na conta, por exigir escala em atendimento, risco e áreas regulatórias. Nos demais setores, a base costuma ter uma ou duas empresas, de modo que o número setorial acaba sendo a trajetória de uma única companhia: wellness cresceu nos dois períodos com a expansão internacional do Wellhub, enquanto games recuou com o ajuste da Wildlife Studios após o pico da pandemia.
Entre as cinco retailtechs, o quadro caiu no primeiro período, com quase mil demissões, e voltou a crescer no segundo, puxado pela Nuvemshop.
Fim do ciclo de ajuste
Segundo Ventura, boa parte dos cortes entre 2022 e 2024 corrigiu estruturas montadas no ciclo de capital abundante de 2020 e 2021. Os dados de 2026 sugerem que essa fase se encerrou: as quedas ficaram mais brandas, com quatro empresas recuando apenas 4%. Casos que haviam reduzido fortemente os quadros no primeiro período, como Mercado Bitcoin, EBANX, Olist e Creditas, voltaram ao campo positivo.
"O momento é de crescimento seletivo, não de expansão generalizada", resume o executivo.
E a inteligência artificial?
A pesquisa não isolou o efeito da IA sobre o número de funcionários, mas o recorte temporal oferece uma pista. O período de maior contração, entre 2022 e 2024, coincide com a correção do mercado de capitais. Já entre 2024 e 2026, quando a tecnologia se difundiu de fato, o total de funcionários continuou crescendo — em ritmo até um pouco maior.
"Os dados sugerem que até agora a IA não reduziu o tamanho das equipes em termos líquidos, mas provavelmente o ritmo de contratação teria sido maior caso os unicórnios não tivessem adotado IA", avalia Ventura. Para ele, a tecnologia muda as funções exercidas, não necessariamente o tamanho do time. A próxima edição do estudo deve detalhar quais funções estão crescendo e quais deixaram de ser contratadas.
Fonte original: Exame



