A Stone decidiu que a próxima avenida de crescimento não passa mais pela maquininha. A empresa quer se tornar formalmente um banco e disputar a relação financeira completa com o pequeno e médio empreendedor brasileiro.
A lógica é direta: evitar que o cliente processe a venda na maquininha da Stone e transfira o dinheiro para outra instituição logo em seguida. "A oportunidade de crescimento está muito relacionada ao setor bancário e aos serviços financeiros. Com a onda de bancos digitais, a vida ficou melhor para o consumidor. Mas, para o empreendedor, não houve o mesmo progresso. É aí que enxergamos esta oportunidade", disse Mateus Scherer, CEO da Stone, em entrevista ao NeoFeed.
As plataformas de serviços financeiros vêm sendo construídas há cerca de três anos, com funcionalidades como folha de pagamento e investimentos. "Operar uma empresa de maquininha é diferente de um banco. Agora temos uma proposta de valor pronta", afirmou o executivo.
Na prática, a companhia já opera como um banco convencional para pessoas jurídicas. Dos pouco mais de quatro milhões de clientes, a maioria já usa algum serviço bancário além das máquinas de pagamento.
O pedido formal foi protocolado no Banco Central em novembro de 2025, solicitando a conversão do registro de financeira para o de instituição bancária. A empresa também pediu autorização para operar uma distribuidora de títulos e valores mobiliários (DTVM).
"Hoje, temos uma estrutura em que a entidade líder é uma instituição de pagamento, com uma sociedade de crédito, financiamento e investimento logo abaixo. Isso nos permite fazer empréstimos, emitir CDBs e ter contas de pagamento", explicou o CFO Diego Salgado.
Não há prazo definido para a aprovação, mas a expectativa é de que a autorização saia nos próximos meses. O registro de financeira da Stone levou 13 meses. Mantido o mesmo ritmo, a licença bancária sairia até dezembro deste ano.
O timing do pedido também foi favorável. A solicitação ocorreu poucas semanas antes de o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional publicarem, em dezembro, resolução que proíbe instituições sem licença bancária de usar as expressões "banco" ou "bank". A Stone não é alcançada pela nova norma.
O movimento repete a trilha do PagBank, ex-PagSeguro, que obteve licença bancária em 2019 após comprar o Banco Brasileiro de Negócios. Assim como os digitais, a Stone não pretende abrir agências físicas.
Fonte original: NeoFeed — https://neofeed.com.br/negocios/stone-quer-ir-alem-da-maquininha-e-define-sua-nova-avenida-de-crescimento-virar-banco/


