A sueca Lovable anunciou nesta quarta-feira (12) uma rodada Série C de US$ 400 milhões a um valuation de US$ 13,3 bilhões, liderada pela Menlo Ventures e colinderada pelo Scaleup Europe Fund, gerido pela EQT. A latino-americana Kaszek entra no captable, e um case brasileiro aparece na vitrine do anúncio.
O salto é expressivo. Na Série B, fechada em dezembro de 2025, a plataforma de criação de software por IA estava avaliada em US$ 6,6 bilhões. Ou seja, o valuation praticamente dobrou em oito meses.
A rodada montou um sindicato deliberadamente global. Além dos líderes, entraram Balderton Capital e Carmignac (Europa), Kaszek Ventures e LTS Growth (América Latina), Tencent e World Innovation Lab (Ásia) e Regent (Estados Unidos). Entre os investidores que voltaram a aportar estão Accel, Antler, CapitalG, DST Global, Evantic Capital, HubSpot Ventures e Salesforce Ventures.
Os números de tração explicam o apetite. Desde o lançamento, em novembro de 2024, foram criados mais de 60 milhões de projetos na plataforma, e os aplicativos construídos com a ferramenta somam mais de 900 milhões de visitas por mês. A penetração corporativa também avançou: no primeiro ano, a Lovable já alcançava funcionários de metade das empresas da Fortune 500; hoje, a marca chega a cerca de dois terços.
O perfil de quem usa a ferramenta mudou o rumo do produto. Segundo pesquisa com usuários, quase 8 em cada 10 estão construindo um negócio ou projeto paralelo que pretendem monetizar, e mais de um terço desses já gera receita. Por isso, desde a Série B a empresa passou a lançar funcionalidades de operação, e não apenas de criação: pagamentos, ferramentas de SEO e busca por IA, integrações com Google Workspace, Microsoft 365, Salesforce, Stripe e ElevenLabs, além de varredura automática de segurança e a certificação AIUC-1.
O Brasil aparece diretamente no anúncio. A companhia destacou o caso da Viver de IA, de Rafael Milagre, que construiu com a Lovable os sistemas da própria operação, CRM, ferramentas financeiras, site e fluxos de SDR com IA. A empresa tem 54 funcionários, atende mais de 1.200 clientes e projeta R$ 100 milhões de receita neste ano.
Dentro de grandes corporações, o uso segue a mesma lógica de substituição de software. Times de Adidas, NVIDIA e Deutsche Telekom recorrem à plataforma para criar sistemas em torno de fluxos críticos e aposentar ferramentas que deixaram de servir. A americana Nursa, por exemplo, reconstruiu sua plataforma central 12 vezes mais rápido e está desativando 10 sistemas SaaS.
Com o novo capital, a Lovable pretende crescer para cerca de 450 funcionários ainda este ano, com contratações concentradas em machine learning, produto, infraestrutura e segurança. A sede permanece em Estocolmo, com expansão em Londres, Boston, São Francisco e Nova York.
Fonte original: Lovable — https://lovable.dev/blog/series-c


