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    Uber compra a Delivery Hero por US$ 14,8 bilhões e Prosus, dona do iFood, entrega fatia de 16,8%

    A Uber fechou acordo para comprar a alemã Delivery Hero por US$ 14,8 bilhões e criar uma operação de delivery presente em 99 países. A sul-africana Prosus, controladora do iFood no Brasil, se comprometeu a vender à americana toda a sua participação de 16,8% na companhia.

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    Redação

    17 de julho de 20263 min de leitura
    Uber compra a Delivery Hero por US$ 14,8 bilhões e Prosus, dona do iFood, entrega fatia de 16,8%

    A Uber acertou a compra da Delivery Hero por US$ 14,8 bilhões (€ 12,9 bilhões), com oferta de € 41,50 por ação. O desembolso efetivo será menor — cerca de US$ 13,7 bilhões —, já que a americana vinha acumulando aproximadamente um quarto das ações da alemã, com a aquisição mais recente feita em maio.

    Entre os vendedores está um nome conhecido do mercado brasileiro. A Prosus, que controla o iFood e detém 16,8% da Delivery Hero, aceitou entregar toda a sua fatia dentro da oferta.

    A venda faz parte dos compromissos que a gigante sul-africana assumiu com a Comissão Europeia ao comprar a Just Eat Takeaway por € 4 bilhões — acordo que exigiu um corte relevante em sua posição na rival alemã. O desmonte já vinha em curso: a Prosus vendeu 4,5% à própria Uber em abril e outra fatia à Aspex Management em maio.

    Uma operação em 99 países

    O negócio une o Uber Eats às marcas da Delivery Hero em 99 países, entre elas o foodpanda, na Ásia, o PedidosYa, na América Latina, e o talabat, no Oriente Médio. Somadas, as operações registraram US$ 236 bilhões em pedidos em 2025.

    Há um limite no pacote, no entanto. A Uber não ficará com as operações da Delivery Hero em 14 países onde já é forte — caso do Glovo, em Portugal e na Espanha, do foodora, na Noruega e na Suécia, e do Yemeksepeti, na Turquia. Essas marcas irão para a SSW Partners, gestora de private equity de Nova York, por US$ 1,6 bilhão.

    A divisão funciona como medida de segurança para evitar que a Uber domine esses mercados e atraia o escrutínio dos reguladores de concorrência.

    A onda que não para

    O acordo é mais um lance na corrida por escala que tomou o setor desde o arrefecimento do delivery no pós-pandemia. Com custos operacionais pesados, as empresas passaram a priorizar consolidação. No ano passado, a americana DoorDash comprou a britânica Deliveroo por £ 2,9 bilhões, e a própria Prosus levou a Just Eat Takeaway.

    "O negócio de delivery é altamente competitivo e dependente de escala. É desafiador construir a partir de uma base europeia", reconheceu Kristin Skogen Lund, presidente do conselho da Delivery Hero, ao apoiar a venda.

    Do lado da compradora, a conta é de cross-sell. Com a transação, a Uber passa a oferecer mobilidade e delivery juntos em 58 mercados, ante 34 atualmente. Segundo a empresa, quem usa os dois serviços gasta três vezes mais no aplicativo.

    O que vem depois

    A Uber promete manter a sede da Delivery Hero em Berlim, preservar o quadro de funcionários até pelo menos 2029 e investir € 2 bilhões na Alemanha nos próximos cinco anos. O fechamento está previsto para o segundo semestre de 2027.

    Quem não estará lá para acompanhar é Niklas Östberg, fundador que criou a empresa em 2011 e a levou à bolsa de Frankfurt em 2017. Pressionado por investidores ativistas, ele concordou em deixar o comando em maio.

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