A plataforma brasileira de locação de veículos e venda de seminovos tem sobre a mesa duas ofertas de equity na faixa de US$ 40 milhões a US$ 60 milhões, e deve bater o martelo nas próximas semanas.
A Turbi está diante de uma decisão que vai definir o ritmo da sua expansão nos próximos anos. A companhia negocia uma captação via equity em estágio avançado e tem duas propostas concorrentes na mesa, ambas na faixa de US$ 40 milhões a US$ 60 milhões — cerca de R$ 200 milhões a R$ 300 milhões, segundo apurou o NeoFeed.
Fundada em 2017, a Turbi opera uma plataforma digital de locação de veículos e venda de seminovos e vem construindo uma tese mais ampla de mobilidade urbana. Desde a fundação, a empresa já captou R$ 249 milhões via equity e outros R$ 1,3 bilhão via dívida.
A rodada atual começou no início deste ano, com um alvo próximo de US$ 50 milhões. Depois de conversas com fundos globais, a companhia chegou a julho perto de fechar acordo com uma gestora ocidental de grande porte, descrita por fontes de mercado como um nome tradicional, com décadas de experiência no modelo e forte atuação em governança.
O processo mudou de rumo quando um grupo chinês apresentou uma segunda oferta, com valores ligeiramente superiores. A aproximação veio dos laços que a Turbi já mantém com montadoras chinesas, fornecedoras dos veículos que abastecem sua operação, e passou por uma viagem de executivos da empresa à China no primeiro semestre.
Para o investidor asiático, o racional vai além do cheque: aproximar-se de um grande comprador de carros no Brasil, em um mercado no qual as vendas para grandes contas respondem por mais da metade dos negócios. A expansão das montadoras chinesas no país tem sido puxada principalmente pelo B2C, e uma locadora oferece uma porta de entrada relevante para o canal corporativo.
A decisão deve sair nas próximas semanas. A possibilidade de captar nas duas frentes não está descartada, mas é considerada pouco provável, porque implicaria diluição considerável para os atuais acionistas em um momento visto como distante do ideal. Hoje, a Arc Capital detém 31,9% da operação, seguida pela Red Asset, com 13,6%, e pela Domo.VC, com 11,5%. Fundadores e management somam 12,08%.
Para onde vai o dinheiro
Seja qual for a escolha, o destino dos recursos já está definido. A maior parte deve ir para a expansão da frota, que fechou o primeiro semestre com pouco mais de 7 mil carros. Outra parcela será direcionada a frentes adjacentes ao negócio principal, como a Trato, braço financeiro da companhia, tecnologias de telemetria e rastreamento voltadas a bancos e seguradoras, e o projeto de estacionamentos autônomos.
Os números do semestre ajudam a explicar o apetite dos investidores. A Turbi reportou receita líquida consolidada de R$ 179,9 milhões no primeiro semestre de 2026, alta de 27% na comparação anual. A receita de locação cresceu 25%, para R$ 121,3 milhões, e a de seminovos avançou 33%, para R$ 58,6 milhões.
O Ebitda consolidado somou R$ 61 milhões, salto de 43%, com margem de 33,9% — melhora de 5,7 pontos percentuais. O prejuízo líquido, porém, subiu para R$ 47,2 milhões, contra R$ 29 milhões um ano antes.
Procurada, a Turbi não comentou as negociações.
Fonte original: NeoFeed


