Criada em 2025 na cisão da Softplan, a catarinense passou o segundo ano de operação sem anunciar aquisições e concentrou o esforço em aprofundar suas quatro verticais de software. A régua para voltar a comprar subiu: ARR a partir de R$ 50 milhões, crescimento acima de 20% ao ano e margem EBITDA superior a 25%.
A Starian fechou 2026 sem nenhuma aquisição anunciada até aqui — uma inflexão para uma empresa que estreou com uma rodada de R$ 640 milhões da General Atlantic e dois M&As ainda em 2025. A companhia nasceu em junho de 2025, quando a Softplan dividiu a operação em duas, ficando com a metade voltada ao setor privado: SaaS, base pulverizada, venda rápida e receita recorrente.
Em vez de comprar, a empresa usou o segundo ano para aprofundar a tese de verticalização. Hoje são quatro verticais e mais de 30 produtos, distribuídos entre construção civil, inteligência jurídica, eficiência e produtividade, e governança e compliance — esta última, a mais recente, criada a partir da compra da gaúcha Contato Seguro, anunciada no fim do ano passado.
"Construção civil está bastante maduro, inteligência jurídica amadurecendo bastante, e governança e compliance estamos acelerando apesar de ainda termos apenas um ativo", afirma Alex Anton, CSO da Starian.
Cross-sell como motor
A expansão em 2026 vem principalmente da base já existente. O caso citado pelo executivo é o da própria Contato Seguro, cuja solução de canal de denúncias corporativas passou a ser adotada por grandes construtoras e incorporadoras que já eram clientes de outros módulos da companhia.
Com essa estratégia, a Starian sustenta crescimento orgânico entre 23% e 24% ano contra ano, com margem EBITDA na mesma faixa. O plano é encerrar 2026 com receita anualizada de R$ 750 milhões e cerca de 25 mil clientes. A empresa não divulgou os números consolidados de 2025, mas a meta informada no meio do ano passado era de R$ 550 milhões de faturamento e 20 mil clientes.
A aquisição da Contato Seguro adicionou cerca de 3 mil contas, com CAGR de 35% em três anos e receita líquida projetada acima de R$ 65 milhões.
Agro, educação e automotivo no radar
O crescimento inorgânico esfriou, mas não parou. Segundo Anton, entre 30% e 40% do esforço de M&A está reservado a soluções satélites que reforcem os ecossistemas existentes, contra 60% a 70% destinados à abertura de verticais inteiramente novas. As frentes que mais interessam são agro, educação e automotivo — com destaque para gestão de concessionárias, oficinas e seguradoras.
O critério é o mesmo que fez a aposta em construção civil funcionar: foco em B2B e em setores com baixa penetração de tecnologia. "Setor difícil é bom, porque acaba tendo uma barreira de entrada para outros competidores", diz o executivo.
A régua para novas aquisições, no entanto, subiu. A companhia hoje só olha empresas com ARR a partir de R$ 50 milhões, crescimento acima de 20% ao ano e margem EBITDA idealmente superior a 25%. "Para a gente, ter seletividade é muito mais importante do que fazer M&A simplesmente por fazer", afirma Anton, sem dar previsão para o próximo anúncio.
A resposta ao risco da IA
O argumento por trás da verticalização também é defensivo. Em um mercado em que o modelo SaaS foi colocado em xeque pelo avanço da inteligência artificial, a aposta da Starian é a de que a resposta não está em correr atrás da IA, e sim em descer mais fundo na jornada específica de cada setor atendido — criando profundidade de produto difícil de replicar por soluções genéricas.
Fonte original: Startups



