A Senior Sistemas nunca escondeu que cresce comprando. São mais de 30 aquisições desde 2015. O que mudou no último ano foi o tamanho dos cheques.
Em dezembro, a companhia desembolsou R$ 162,5 milhões pela Cigam, tradicional empresa gaúcha de ERP. Em junho, veio o maior negócio de sua trajetória: R$ 318,7 milhões pela Salú, HRtech de saúde ocupacional.
Segundo o CEO Carlênio Castelo Branco, o gatilho não foi apetite, mas oportunidade. A empresa traça uma estratégia de longo prazo, define os segmentos em que vai apostar, mapeia as companhias inseridas neles e vai atrás. Aquisições oportunistas ficam de fora do roteiro.
Duas teses, dois alvos
A Cigam entrou pela tese de consolidação em ERP. A Senior tinha cerca de R$ 400 milhões de receita nesse segmento e agregou mais R$ 100 milhões com a compra, além de produtos que não possuía, como a solução para franquias e varejo. Com o aval do Cade recebido no início do ano, a integração corre com a marca preservada como "Cigam by Senior" e cross-sell nos dois sentidos.
Na mesma linha, a Senior comprou em maio a paranaense Forbiz por R$ 62,1 milhões — uma software house com mais de três décadas de mercado que já atuava como canal de vendas da compradora.
Já a Salú responde a outra lógica. É uma HRtech jovem que saiu do zero e chegou perto de R$ 90 milhões de receita, trazendo um produto inédito no portfólio da Senior: saúde ocupacional, tema impulsionado pela NR-1, norma de gestão de riscos no trabalho que exigirá adaptações das empresas. O negócio já passou pelo Cade e deve ser concluído em cerca de dois meses.
A matemática da integração é direta: a Senior tem de 7 a 8 milhões de vidas na base de RH, mais de 200 vendedores em campo e mais de 100 canais de distribuição para escoar a solução da adquirida.
A conta dos R$ 5 bilhões
Os ativos chegam com a operação já em ritmo forte. Depois de fechar 2025 com receita recorde de R$ 1,17 bilhão — alta de quase 20% —, a Senior cresce de 24% a 25% neste ano e deve superar R$ 1,3 bilhão até dezembro.
O crescimento orgânico também mudou de patamar: saltou dos tradicionais 12% a 13% para 17% a 18%. Somando os cerca de R$ 100 milhões da Salú, a projeção é fechar o próximo ano crescendo de 30% a 35%.
A meta de 2032 é quintuplicar e cruzar os R$ 5 bilhões, patamar da concorrente Totvs, que faturou R$ 5,7 bilhões no ano passado. Desse total, cerca de R$ 2 bilhões devem vir de aquisições ao longo dos próximos seis anos.
O momento, avalia o CEO, favorece quem tem caixa: a enxurrada de investimentos do pós-Covid chega à hora natural de saída dos fundos e os valuations estão em correção. No radar estão players das camadas de gestão (ERP, logística, construção, agro e manufatura) e de pessoas (RH e segurança), além da expansão latino-americana, com negociações na Colômbia.
A resposta à IA
Sobre o avanço da inteligência artificial no mercado de SaaS, Carlênio adota um discurso de cautela ativa. A plataforma SeniorX já nasceu preparada para incorporar IA e reúne quase 70 agentes distribuídos pelas soluções. A empresa também desenvolve produtos inteiros baseados na tecnologia, como um onboarding de colaboradores com reconhecimento de imagem, análise de documentos e chatbot, sem intervenção humana.
O modelo de negócio começou a mudar junto: 10% da receita já vem de monetização por processo e por uso, e não mais por licença ou por colaborador. A fatia deve crescer nos próximos anos.
Fonte original: Startups — https://startups.com.br/negocios/ma/com-fome-de-grandes-mas-senior-mira-r-5b-de-receita/


