O Rio de Janeiro formalizou nesta semana, durante o Web Summit Rio 2026, a primeira rodada de investimentos do que pretende ser o maior complexo de data centers voltados à inteligência artificial do país. O anúncio foi feito pelo prefeito Eduardo Cavaliere em coletiva de imprensa no evento.
Segundo o prefeito, o aporte de US$ 550 milhões da I Squared Capital vai para a plataforma de infraestrutura digital da Elea Data Centers, responsável pela implantação do projeto. A Prefeitura participa como parceira institucional, e não como receptora dos recursos.
Um dia antes da coletiva, na cerimônia de abertura do Web Summit, Cavaliere assinou um Memorando de Entendimento com a Elea e a Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar), formalizando a cooperação para tirar o complexo do papel.
A ambição é grande. O Rio AI City prevê uma infraestrutura com capacidade de 3,2 gigawatts até 2032, o que colocaria a cidade entre os dez maiores polos globais de inteligência artificial. "O RJ tem todas as condições necessárias para ser um forte centro de IA", afirmou Cavaliere, citando a combinação de mão de obra qualificada, conectividade e abundância de água e energia.
Por trás da aposta em infraestrutura física existe uma estratégia de formação de capital humano. O prefeito mencionou a expansão dos Ginásios Educacionais e Tecnológicos (GEDs), já presentes em 312 das 1.600 escolas municipais, como base para preparar a força de trabalho que vai operar o ecossistema. Também citou uma parceria com o IMPA para criar uma faculdade de matemática voltada a estudantes de escola pública de todo o Brasil.
Para reforçar o histórico tecnológico da cidade, Cavaliere lembrou que o Rio já abriga unicórnios nascidos localmente, como Stone e VTEX. "Vamos atrair mais fundos, empreendedores e investimentos para gerar oportunidades de tecnologia", disse.
O movimento sinaliza uma disputa cada vez mais acirrada entre cidades brasileiras pela infraestrutura que sustenta a próxima fase da IA. Modelos generativos, agentes autônomos e aplicações em tempo real dependem de data centers, energia e conectividade em escala. Ao ancorar um projeto bilionário, o Rio tenta se posicionar como peça central na corrida pela soberania digital do Brasil.
Fonte original: Startups.com.br — https://startups.com.br/eventos/web-summit/rio-atrai-us-550m-para-megaprojeto-de-data-centers-de-ia/


