A corrida pela liderança em inteligência artificial tem levado as Big Techs a gastar bilhões de dólares não apenas em infraestrutura, mas também em talentos. A movimentação mais recente veio à tona na quinta-feira, 18 de junho, quando Noam Shazeer anunciou que deixará o Google para trabalhar na OpenAI.
Shazeer era vice-presidente de engenharia do Google e colíder dos modelos de IA da família Gemini. "Estou muito feliz em compartilhar que me juntarei à OpenAI", escreveu ele em publicação no X. Até o momento, a empresa de Sam Altman não detalhou o cargo que o executivo ocupará.
A saída representa um duro golpe para o Google, que pagou caro para recuperá-lo. Em 2024, a companhia assinou um cheque de US$ 2,7 bilhões pela Character.AI, startup de chatbot cofundada por Shazeer, em uma operação desenhada para trazer de volta o ex-funcionário e sua equipe de pesquisadores.
Shazeer é considerado um dos pioneiros da IA generativa. Em 2017, ainda no Google, ele foi coautor do artigo que apresentou a arquitetura Transformer, base técnica que possibilitou o avanço dos modelos de linguagem mais populares da atualidade.
O caso ilustra uma estratégia cada vez mais comum, o chamado "acqui-hire", em que uma empresa compra outra principalmente para absorver seus talentos, e não necessariamente seus produtos. É, na prática, o "M&A de pessoas". As gigantes também têm contratado fundadores e pesquisadores de startups e, em paralelo, licenciado a tecnologia dessas companhias.
A Microsoft adotou caminho semelhante em 2024 com a Inflection AI, ao contratar seu CEO, Mustafa Suleyman, para comandar a unidade de IA Copilot e pagar US$ 650 milhões em taxa de licenciamento, segundo o Wall Street Journal.
A escassez de profissionais qualificados também acelera a rotatividade. Em 2025, a Apple perdeu Ruoming Pang, seu principal executivo de modelos de IA, para a Meta, que teria oferecido um pacote avaliado em dezenas de milhões de dólares por ano. Pang, porém, não ficou muito tempo: foi contratado pela OpenAI no início deste ano, sete meses após chegar à empresa de Mark Zuckerberg.
Mais do que reduzir distância na corrida tecnológica, a contratação de Shazeer reforça como o capital humano se tornou ativo estratégico tão disputado quanto data centers e capacidade computacional na nova fase da inteligência artificial.
Fonte original: NeoFeed — https://neofeed.com.br/startups/na-disputa-por-talentos-de-ia-openai-recruta-cerebro-de-us-27-bilhoes-do-google/


