O Nubank anunciou em Miami o início efetivo da operação americana com a Nu Account, conta que paga 3,50% ao ano sobre cada dólar depositado, e revelou a Nu Global, conta multimoedas lastreada em stablecoins disponível em mais de 35 países. A companhia estima gastar entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões para testar o mercado dos Estados Unidos.
O Nubank colocou de pé nesta quinta-feira a operação que vinha construindo há um ano nos Estados Unidos. Em evento para cerca de 300 convidados no Nu Stadium, em Miami, a cofundadora Cristina Junqueira anunciou a chegada da Nu Account ao mercado americano. O lançamento vem duas semanas depois de Itaú e Revolut também receberem autorização do Office of the Comptroller of the Currency (OCC) para operar no país.
A tese do banco digital para os Estados Unidos é a mesma que sustentou sua expansão na América Latina. Segundo o fundador e CEO David Vélez, quase metade da população americana não é bancarizada ou é mal atendida pelos bancos tradicionais. O diferencial estaria no custo: o Nubank gasta cerca de US$ 1 para atender um cliente, contra aproximadamente US$ 20 dos bancos americanos.
O público latino, estimado em 80 milhões de pessoas, deve ser o primeiro a ser alcançado por causa do reconhecimento de marca, mas Vélez afirmou que a ambição não se limita a esse segmento. Cristina Junqueira acrescentou um cálculo que ajuda a explicar a aposta: por questões de câmbio e renda, um cliente nos Estados Unidos vale dez vezes um cliente brasileiro. Chegar a 10 ou 20 milhões de usuários no país poderia triplicar o valor de mercado da companhia.
Os números da estreia
A Nu Account chega sem a denominação de banco e tem como principal atrativo o rendimento diário de 3,50% ao ano. Por enquanto vem acompanhada apenas de cartão de débito, mas a empresa pretende atrelar um cartão de crédito à conta — quando isso acontecer, o rendimento pode subir para 4,5%.
Os depósitos ficam custodiados no banco parceiro Lead Bank enquanto a licença definitiva não sai. Cristina Junqueira afirmou que a liberação não deve acontecer antes de 2027. Assim que vier, a estrutura própria substitui o parceiro.
Há também uma funcionalidade desenhada para o corredor de remessas: o envio de dinheiro dos Estados Unidos para Brasil, México e Colômbia poderá ser feito pelas chaves dos sistemas de pagamento instantâneo de cada país — Pix, CoDi e Bre-B. A companhia afirma que não haverá cobrança de tarifas nem markup embutido no câmbio.
A aposta global
O segundo anúncio do dia foi a Nu Global, conta multimoedas que atende mais de 35 países. Os depósitos são convertidos em dólares digitais (USDC) ou euros digitais (EURC), com rendimento de 3,50% ao ano e 2,20% ao ano, respectivamente. O produto vem com cartão virtual Mastercard e permite ao cliente manter e negociar ativos digitais selecionados, como Bitcoin e Ethereum, ao lado do saldo do dia a dia. A conta ainda não está disponível para brasileiros.
Vélez descreveu o movimento como coleta de inteligência para expansões futuras e minimizou a leitura de que a Nu Global seja uma resposta direta à Revolut. "Com tudo que aconteceu até hoje, 95% dos serviços financeiros globais ainda estão nas mãos dos incumbentes", afirmou.
O plano para os Estados Unidos prevê de 12 a 24 meses até encontrar o product-market fit, antes de acelerar. O custo do teste deve ficar entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões, ou no máximo 100 pontos-base do índice de eficiência da companhia em até dois anos.
Fonte original: Startups



