A scale-up mineira fundada por dois advogados soma 300 clientes ativos e mais de 100 mil usuários, foi a sétima colocada no ranking de empresas mais inovadoras da América Latina da Fast Company em 2025 e agora aposta em IA aplicada ao ciclo contratual para disputar o mercado global.
O netLex fechou os últimos anos com um conjunto de números incomum para uma empresa de software B2B nascida fora do eixo Rio–São Paulo: crescimento de 50% ao ano, 300 clientes ativos, mais de 100 mil usuários e operação que alcança mais de 60 países. A companhia atua em Contract Lifecycle Management (CLM), categoria que organiza o ciclo de vida dos contratos — da criação ao pós-assinatura.
A trajetória começou quando os advogados Flávio Ribeiro e Wagner Possas deixaram a advocacia para atacar um gargalo operacional que conheciam de perto. "Quando decidimos empreender, entendemos que precisava ser em algo que transformasse o dia a dia das empresas. A área de contratos sempre foi um gargalo estratégico, e vimos ali a oportunidade de construir uma categoria nova no mercado", afirma Ribeiro, CEO e cofundador.
Em 2025, a Fast Company colocou a empresa na sétima posição de sua lista das companhias mais inovadoras da América Latina.
O cheque que mudou a escala
O ponto de inflexão veio em 2024, com uma rodada de R$ 126 milhões liderada pela Riverwood Capital — o maior aporte já feito em uma plataforma de CLM na América Latina. O valor representou um salto de cerca de 1.300% sobre as duas captações anteriores somadas, que totalizavam R$ 9,6 milhões. Gustavo Pinheiro, da Riverwood, passou a integrar o conselho de administração.
A meta declarada na ocasião era elevar a fatia de receita vinda do exterior dos então 10% para 40% até 2027.
IA no ciclo inteiro do contrato
O netLex AI opera hoje em todas as etapas do ciclo. Na criação, sugere cláusulas e padroniza documentos. Na redação, simplifica termos jurídicos e aponta erros. Na revisão, identifica em segundos os pontos alterados pela contraparte. No pós-assinatura, extrai informações automaticamente e monitora performance. Há ainda um chat que responde a perguntas sobre riscos, prazos e rescisões dentro de documentos complexos.
A empresa afirma que não armazena dados de clientes nem os utiliza para treinar modelos — ponto sensível para áreas jurídicas e de compliance, que costumam travar a adoção de IA generativa por receio de vazamento de informação contratual.
Ribeiro sustenta que o efeito da tecnologia é de redistribuição de trabalho, não de substituição. "A IA não substitui ninguém, ela amplifica o impacto de quem sabe usá-la bem", diz. Na leitura da companhia, as áreas de negócio ganharão autonomia para criar, negociar e revisar contratos dentro de parâmetros definidos pelo Jurídico, que assume função mais estratégica.
Mercado regional pequeno, ambição global
O tamanho do mercado ajuda a explicar a pressa em internacionalizar. O CLM latino-americano foi estimado em US$ 73,1 milhões em 2024, com projeção de US$ 127,2 milhões até 2030, segundo a Grand View Research — um teto modesto para uma empresa que cresce 50% ao ano.
"Nossa ambição é clara: nos tornar o maior CLM do mundo, unindo tecnologia proprietária, IA aplicada e profundidade jurídica", afirma Ribeiro.


