A edtech de tecnologias emergentes fundada em 2020 troca a venda de cursos para pessoa física por contratos corporativos e projetos sob demanda, com foco em blockchain, tokenização e inteligência artificial. A plataforma B2C segue ativa durante a transição.
A NearX, plataforma educacional voltada ao ensino e à aplicação de tecnologias emergentes, está deixando o modelo B2C para atuar como B2B. A companhia passa a concentrar esforços em capacitação corporativa e no desenvolvimento de projetos sob demanda para empresas, com meta de faturar R$ 10 milhões em 2026.
A mudança vem acompanhada de uma virada geográfica. A startup, que construiu sua base de clientes majoritariamente no exterior, agora persegue contratos com empresas brasileiras.
"Como a gente vem do mercado internacional, acabamos olhando muito para fora e pouco para o Brasil. Agora, o foco é buscar contratos com empresas nacionais", afirma Caio Mattos, fundador e CEO da NearX.
Segundo o executivo, a concentração no exterior é consequência da própria origem da empresa. Fundada em 2020, a NearX nasceu para capacitar desenvolvedores brasileiros e conectá-los à demanda de companhias estrangeiras, sobretudo norte-americanas.
Blockchain, tokenização e IA no centro da oferta
O portfólio atual combina capacitação de equipes com o desenvolvimento de soluções técnicas. As frentes prioritárias são blockchain e tokenização, mas a empresa também atua com Web3, inteligência artificial e ferramentas de segurança digital.
"Não é uma mudança de negócio, mas um reforço daquilo que a gente já faz. Temos um time robusto de engenheiros de software e estamos ampliando a equipe com mais arquitetos e engenheiros", diz Mattos.
A transição não é apenas comercial. A companhia está substituindo parte do time para adequá-lo à nova operação. "Enquanto estamos contratando por um lado, estamos demitindo por outro", afirma o CEO. A expectativa é concluir a reorganização nos próximos dois meses. A plataforma digital de cursos B2C, por ora, segue ativa.
Mesmo com a mudança de modelo, o crescimento do quadro será contido. "Não vamos mexer muito na equipe. Será um crescimento de 10%. De 20, vamos passar para 23 no máximo", afirma o CEO. Para 2027, a projeção é de expansão anual de receita entre 20% e 30%.
Sem rodadas até aqui
A NearX nunca captou investimento. "Por opção própria, a gente decidiu não participar de round", diz o fundador, que associa a decisão ao estágio de maturidade do negócio. "A ideia é estruturar a companhia a partir do próximo ano para captar de forma saudável, com governança e receita recorrente."
No histórico recente, a startup participou de um programa de aceleração conduzido pela New Campus em parceria com a Animoca Brands, empresa de Hong Kong com teses voltadas a blockchain. Foi a única brasileira na iniciativa, o que, segundo Mattos, abriu portas na Ásia — inclusive junto a empresas interessadas em se aproximar do mercado brasileiro.
*Fonte original: Startups


