Cinco meses depois de Pequim anular sua venda para a Meta, a startup chinesa de agentes de inteligência artificial busca US$ 500 milhões com IDG Capital, Boyu Capital e a fabricante de baterias CATL, em uma avaliação de US$ 4 bilhões — o dobro do preço pago pela big tech americana.
A Manus voltou ao mercado. Depois de retomar a operação de forma independente, a startup chinesa de agentes de inteligência artificial negocia uma rodada de US$ 500 milhões a um valuation de US$ 4 bilhões, segundo apurou o The Wall Street Journal.
Entre os investidores em conversa estão a IDG Capital, a Boyu Capital e a Contemporary Amperex Technology, maior fabricante de baterias do mundo. Acionistas atuais como Tencent, HSG e ZhenFund também devem participar da operação.
A companhia avalia, em paralelo, uma reestruturação societária para viabilizar uma oferta pública inicial de ações em Hong Kong. A empresa afirmou neste mês que a equipe fundadora permanece no comando.
Do acordo bilionário à anulação
A rodada encerra um ciclo que começou em 29 de dezembro de 2025, quando a Meta anunciou a compra da Manus por mais de US$ 2 bilhões. Na ocasião, a big tech afirmou que incorporaria o time à sua frente de IA para desenvolver agentes de uso geral, incluindo o Meta AI.
Controlada pela Butterfly Effect, a Manus havia fechado seus escritórios na China em julho de 2025 e transferido a operação para Singapura. Dois meses antes, em maio, captara US$ 75 milhões em rodada liderada pela Benchmark. À época da aquisição, a receita recorrente anual superava US$ 100 milhões.
Em 27 de abril, porém, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China determinou a anulação do negócio e proibiu investimento estrangeiro na empresa, citando possíveis violações de regras de controle de exportações. A Meta respondeu que a transação cumpriu integralmente a legislação aplicável.
A decisão ocorreu em meio à preocupação de Pequim com a perda de pesquisadores de IA para o Ocidente. O governo chinês leu a mudança para Singapura como tentativa de contornar restrições dos dois lados — as limitações americanas a investimentos em empresas de IA com vínculos chineses e as regras chinesas sobre transferência de propriedade intelectual.
Em março, os cofundadores Xiao Hong, presidente-executivo, e Ji Yichao, cientista-chefe, foram convocados por reguladores em Pequim e tiveram a saída do país proibida, segundo a Reuters.
Recompra e retomada
Em junho, os investidores originais articularam a recompra da startup pelos mesmos US$ 2 bilhões da aquisição. HSG, ZhenFund e Tencent entraram na operação; a Benchmark ficou de fora.
O movimento foi acompanhado de uma separação operacional executada pela Meta, que interrompeu o compartilhamento de dados entre as duas empresas. Em agosto, a Manus avisou os usuários de que precisariam exportar seus próprios dados, já que as informações geradas após o acordo seriam apagadas para cumprir exigências regulatórias.
A recuperação do negócio ajuda a explicar o salto de avaliação: o run rate da companhia teria avançado para a faixa de US$ 400 milhões a US$ 500 milhões, ante US$ 100 milhões no momento em que a Meta assinou a compra.
Fonte original: Startups



