A primeira nuvem pública brasileira chegou a mais de 2 mil clientes externos e já roda cerca de 80% dos workloads do grupo Magalu. Com receita de terceiros mais de dez vezes maior do que no início de 2025, a empresa anunciou acordo com a Alibaba Cloud, um marketplace de modelos de IA e a versão comercial do "WhatsApp da Lu".
A Magalu Cloud consolidou sua posição na infraestrutura digital do país. Desde o início de 2025, a receita vinda de clientes externos cresceu mais de dez vezes, informou André Fatala, vice-presidente de plataformas, Luizalabs e Magalu Cloud, na abertura do Cloud Futures 2026, realizado nesta quarta-feira (9) na Arena Magalu, em São Paulo.
A base já soma mais de 2 mil clientes, de startups a grandes corporações, com aumento expressivo no volume de uso dos serviços. Internamente, a nuvem responde por cerca de 80% de todos os workloads das operações do Magalu. Com essa tração, a companhia projeta crescer quatro vezes em 2026.
"A Magalu Cloud nasceu como a nuvem para quem faz o Brasil acontecer. Hoje, apresentamos novos produtos que resolvem desafios reais do dia a dia das corporações de forma prática, com previsibilidade de custos, cobrança em reais, arquitetura aberta e infraestrutura local", afirmou Fatala. "Nosso foco é dar às empresas a liberdade de escolher as tecnologias de nuvem e IA que fazem sentido para seus modelos de negócios, sem amarras financeiras."
O anúncio de maior peso competitivo veio da parceria com a Alibaba Cloud para expandir serviços de IA generativa no Brasil. O acordo combina o ecossistema local da Magalu Cloud com o portfólio de modelos da chinesa, incluindo a família Qwen.
Do WhatsApp da Lu para o mercado
A empresa também lançou o Agentic Commerce powered by Agent.Shop, que leva ao mercado corporativo a experiência conversacional estreada no "WhatsApp da Lu" em novembro de 2025. A ferramenta permite que outras marcas ofereçam compra completa dentro do WhatsApp, com a IA processando texto, áudio e imagem para gerar recomendações personalizadas a partir do contexto e do histórico do consumidor.
O diferencial está na fricção zero: o checkout é integrado, e pagamento e pós-venda acontecem no mesmo fluxo, sem o cliente sair da conversa.
Custo de IA em reais
Para responder à imprevisibilidade dos custos de infraestrutura de IA — pressionados pelo dólar e pela ociosidade de computação —, a Magalu Cloud lançou o MGC AI Hub, um marketplace que disponibiliza via API modelos de ponta rodando integralmente em infraestrutura própria no Brasil.
O catálogo reúne LLMs globais e soberanos, como os da brasileira Maritaca e os modelos LLaMA, da Meta, com previsão de incorporar síntese de voz, embeddings e rerankers. Segundo a empresa, o modelo de cobrança gera economia de 30% a 75%, conforme o modelo escolhido.
Ecossistema
A companhia anunciou ainda três parcerias estratégicas. Com a Red Hat, integra o Red Hat Enterprise Linux para acelerar a adoção de IA corporativa em ambientes híbridos. Com a Globo Technologies, a relação virou mão dupla: a Globo amplia o uso da nuvem brasileira em sua estratégia multicloud, enquanto a Magalu Cloud passa a usar a CDN da emissora. Já a Serasa Experian adota a plataforma e vai disponibilizar serviços de análise de crédito no marketplace da nuvem.
A lista de ISVs cresceu com nomes como Akamai, Azion, ClickHouse, Confluent, CrowdStrike, Fortinet, HashiCorp, IBM, Kaspersky, MongoDB, Snyk e Trend Micro, além de mais de 20 novos fornecedores de serviços.
O Cloud Futures 2026 reuniu mais de 800 executivos de TI, inovação, IA e finanças para debater soberania de dados, estratégias multicloud e FinOps.


