Rafael Szarf assume a presidência da logtech e ficará dedicado integralmente às operações, com a missão de melhorar a produtividade da última milha e parar de queimar caixa. Em paralelo, Marcel Arins, presidente do conselho, assume responsabilidades de jurídico, novos negócios e finanças. Viviane Sales, que liderou a empresa desde janeiro substituindo Thibaud Lecuyer, migra para o conselho consultivo.
A divisão de funções marca uma virada estratégica clara: a Loggi abandona o modelo de CEO único, com agenda fatiada entre crescimento e disciplina financeira, e passa a tratar operações e finanças como duas frentes que exigem foco exclusivo. A decisão também reflete a maturidade do ciclo da empresa, que passou seis anos sob a gestão de Lecuyer entre os papéis de CFO e CEO.
O plano da nova gestão é destravar eficiência operacional sem precisar de novas rodadas. Os executivos projetam atingir o ponto de equilíbrio operacional no segundo semestre de 2026, com geração de caixa positiva no recorrente. A meta passa por revisão de rotas, automação de centros de distribuição, melhor uso de IA no roteamento e disciplina rigorosa em despesas administrativas.
A Loggi mantém três pilares estratégicos definidos no início do ano: expansão no mercado de pequenas e médias empresas, fortalecimento das parcerias corporativas e ganho de eficiência operacional via tecnologia. A diferença, agora, é que essas alavancas serão executadas com foco quase obsessivo em rentabilidade — um movimento alinhado ao que o mercado de venture capital exige das ex-queridinhas que captaram bilhões de dólares na era do dinheiro barato.
A mudança no comando acontece em meio à reabertura gradual do M&A no Brasil e à pressão por consolidação no setor de logística. O ecossistema observa de perto o desfecho do plano da Loggi, considerada uma das principais apostas de tecnologia de última milha do país e referência para outras logtechs que precisam migrar do crescimento a qualquer custo para um modelo financeiramente sustentável.
Se a engrenagem funcionar, a Loggi pode entrar em 2027 com cobertura operacional positiva, fôlego para reavaliar M&As estratégicos e narrativa renovada para retomar conversas com investidores institucionais.
Fonte original: NeoFeed — https://neofeed.com.br/startups/loggi-troca-comando-e-planeja-sua-proxima-entrega-gerar-caixa/


