Tech

    Irmãos Batista compram 100% da Avibras e colocam a J&F no setor de defesa com a dona do Astros

    Joesley e Wesley Batista adquiriram a totalidade da Nova AVB, controladora da Avibras Aeroespacial, maior fabricante privada de sistemas de defesa do Brasil e responsável pelo sistema de artilharia Astros. O negócio foi feito pela Globe Investimentos, veículo pessoal da família, e ainda depende de aprovação do Cade.

    R

    Redação

    24 de agosto de 20263 min de leitura
    Irmãos Batista compram 100% da Avibras e colocam a J&F no setor de defesa com a dona do Astros

    Joesley e Wesley Batista adquiriram a totalidade da Nova AVB, controladora da Avibras Aeroespacial, maior fabricante privada de sistemas de defesa do Brasil e responsável pelo sistema de artilharia Astros. O negócio foi feito pela Globe Investimentos, veículo pessoal da família, e ainda depende de aprovação do Cade.

    Fundada em 1961, em São José dos Campos, por um grupo de engenheiros recém-formados no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Avibras é um dos ativos de tecnologia mais estratégicos e mais castigados da indústria brasileira. A companhia acaba de mudar de dono.

    Os irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores da JBS, compraram 100% da Nova AVB, holding que controla a Avibras Aeroco. A operação foi conduzida pela Globe Investimentos, braço pessoal de investimentos da família, e marca a entrada dos empresários em um setor inteiramente novo para a órbita da J&F. A transação ainda não foi concluída e precisa passar pelo crivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

    O ativo comprado é peso pesado em engenharia. A Avibras é a fabricante do sistema de artilharia Astros, de mísseis como o MTC-300, de sistemas antiaéreos e de motores de propulsão sólida — a mesma tecnologia que abastece o programa espacial brasileiro.

    A trajetória da empresa ajuda a explicar o interesse. O primeiro grande projeto foi o avião de treinamento Falcão, desenvolvido para a Força Aérea Brasileira. Em 1965, a companhia participou do projeto do foguete Sonda ao lado do CTA, o que consolidou seu domínio sobre propelentes sólidos. Nos anos 1970 vieram os foguetes da linha SBAT.

    O salto decisivo aconteceu em 1981, quando a Avibras assinou um contrato de US$ 500 milhões para vender mísseis ao Iraque, então em guerra contra o Irã. O pedido foi grande o suficiente para forçar a expansão da planta industrial em São José dos Campos. Dois anos depois, em 1983, nasceu o produto que virou a assinatura da casa: o Astros II.

    No auge, a fabricante empregou seis mil pessoas. O faturamento, porém, sempre oscilou com o calendário de contratos militares. Em 2012, a receita foi de R$ 154,6 milhões. Em 2017, melhor ano da série, chegou a R$ 1,7 bilhão, puxada por exportações.

    O ciclo virou na década seguinte. A Avibras entrou em recuperação judicial em 2022, em processo que tramita na 2ª Vara Cível da Comarca de Jacareí, em São Paulo, com a Deloitte como administradora judicial. O aviso segue estampado no site da companhia. Desde a retomada da produção, em 2026, a empresa ainda não voltou a divulgar números anuais.

    É esse ativo — tecnologia sensível, marca reconhecida no mercado internacional e balanço em reconstrução — que os Batista assumem agora. Para a J&F, historicamente concentrada em proteína animal, energia e celulose, a compra representa uma aposta em deep tech de defesa em um momento de reaquecimento global dos orçamentos militares.

    O próximo passo é regulatório. Sem o aval do Cade, o negócio não se materializa.


    Fonte original: Forbes Brasil

    R

    Escrito por

    Redação

    O portal de notícias do ecossistema de startups brasileiro.

    Fique por dentro

    Receba as principais notícias do ecossistema de startups brasileiro direto no seu email. Sem spam, apenas conteúdo relevante.

    Leia também