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    IPO de US$ 75 bilhões da SpaceX gera mais retorno aos fundos de venture capital do que toda a década passada

    A abertura de capital da SpaceX na Nasdaq, que levantou US$ 75 bilhões em junho, produziu sozinha mais liquidez para fundos de venture capital do que a década passada inteira combinada — um marco que reacende o debate sobre o retorno do mercado de saídas para o setor.

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    Redação

    12 de julho de 20262 min de leitura
    IPO de US$ 75 bilhões da SpaceX gera mais retorno aos fundos de venture capital do que toda a década passada

    Fundada por Elon Musk em 2001, a fabricante de foguetes se tornou uma das maiores histórias de criação de valor do capital de risco. Ao longo de 25 anos, a companhia levantou cerca de US$ 11 bilhões no mercado privado antes de ir à bolsa. Considerando o valuation atual, esse capital foi multiplicado por quase 180 vezes.

    A lista de investidores que acompanharam a trajetória ajuda a explicar o impacto do IPO sobre a indústria. Passaram pelo cap table da SpaceX fundos como a16z, Founders Fund, Sequoia Capital, Fidelity Investments, Google e Valor Equity Partners — nomes que agora colhem retornos expressivos com a listagem.

    O tamanho da oferta é o que a torna singular. Ao movimentar US$ 75 bilhões em uma única operação, a SpaceX gerou um volume de saída que supera, isoladamente, tudo o que os fundos de venture capital conseguiram destravar ao longo de dez anos. Em um mercado que passou boa parte do período recente com a janela de IPOs praticamente fechada e liquidez escassa, o evento funciona como um respiro para gestores pressionados a devolver capital a seus cotistas.

    O movimento tem leitura direta para o ecossistema brasileiro. Boa parte dos fundos que investem em startups no país depende de sinais de reabertura do mercado de saídas nos Estados Unidos para sustentar novas rodadas e captar novos veículos. Retornos de grande porte no exterior tendem a melhorar o apetite dos investidores institucionais globais, os chamados limited partners, que também alimentam gestoras com exposição à América Latina.

    Ainda assim, o caso da SpaceX é uma exceção pela escala e pelo perfil da empresa, e não necessariamente um indicador de que o mercado de IPOs voltou a operar em ritmo normal para companhias de tecnologia menores. O desafio para os fundos segue sendo transformar participações em empresas ainda privadas em liquidez efetiva, seja por meio de aberturas de capital, seja por vendas estratégicas.

    O que o episódio evidencia é o poder de um único desinvestimento de proporções históricas para alterar as estatísticas de todo um setor — e o quanto a indústria de venture capital ainda depende de grandes eventos de saída para justificar o modelo de apostas de longo prazo em empresas deficitárias por muitos anos.

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