Head de Growth do ecossistema de inovação do Bradesco afirma que IA, mudanças no corporate venture capital e o amadurecimento das áreas de inovação corporativa colocaram em xeque o modelo que guiou os hubs nos últimos 15 anos.
O ecossistema de inovação do Bradesco reúne mais de 40 corporações, mais de 300 startups, dezenas de unidades de negócio do banco e cerca de 500 eventos por ano. Ainda assim, a avaliação interna é de que a fórmula que sustentou esse tipo de estrutura precisa ser revista.
"Eu não tenho convicção de que as mesmas fórmulas e os mesmos playbooks dos últimos 10, 15 anos são os que respondem aos desafios que a gente está atravessando agora", afirma Paulo Emediato, head de Growth & Communications do inovabra, em entrevista concedida durante o Rio Innovation Week.
Segundo o executivo, três forças agem simultaneamente sobre o setor: a transformação provocada pela inteligência artificial, as mudanças no mercado de corporate venture capital e o amadurecimento das áreas de inovação das grandes empresas. "O mundo mudou muito. Pós-pandemia, você teve um ciclo de mudança, e com a IA isso foi impressionante", diz.
Saúde puxa a entrada de novas startups
No primeiro semestre de 2026, 44 startups entraram no ecossistema, com concentração significativa na vertical de saúde, que ganhou peso no portfólio. A avaliação agora é se essa concentração deve evoluir para uma atuação mais ampla na cadeia do setor.
O hub também mantém frentes de pesquisa sobre segurança de agentes de inteligência artificial, incluindo mecanismos para evitar manipulação e injeção de prompts.
Está em avaliação um programa de residência em parceria com o CEIA, o Centro de Excelência em Inteligência Artificial sediado em Goiás. A proposta é elevar a maturidade das startups no uso da tecnologia. "É para ajudar essas startups com maturidade na aplicação de IA, inclusive para entender se elas precisam de IA no produto, no core. Como é que pensa a governança, mais do que a aplicação?", explica Emediato.
Aprendizados de um CVC encerrado
Emediato assumiu o cargo no inovabra há cinco meses. Antes disso, passou dois anos à frente de Marketing e Ecossistema na Oxygea, o corporate venture capital criado pela Braskem e encerrado em fevereiro de 2025, cerca de dois anos após o lançamento.
A Oxygea operava com estrutura enxuta, de 16 pessoas, escala bem distante da complexidade do inovabra. O principal aprendizado que o executivo diz ter trazido é a necessidade de entender as dores de fundadores e corporações antes de desenhar programas.
"O cuidado que a gente teve de entender as dores dos founders para desenhar um programa founder focused é um aprendizado que a gente carrega para as próximas práticas", afirma. O mesmo raciocínio, segundo ele, vale para as corporações, que hoje cobram modelos de sustentação, eficiência, retorno sobre investimento e comprovação de valor.
Capital de investidor e capital de cliente
O acesso a recursos segue como o ponto mais sensível do ecossistema, na leitura do executivo — e a resposta, diz, não se resume a rodadas de investimento.
"Uma startup precisa de dinheiro e precisa de capital de cliente. Precisa ajudar nas duas frentes", afirma.
É dessa constatação que nasce a proposta de evolução para os hubs: menos ênfase em espaço físico ou plataforma de conexão e mais atuação como articulador de interesses do ecossistema, sem abandonar programas, eventos e relacionamento já estabelecidos. "É um festival permanente", brinca Emediato sobre a agenda de eventos do inovabra.
*Fonte original: Startups


