A fintech de remessas para imigrantes latinos nos Estados Unidos fechou uma rodada Série C de US$ 200 milhões coliderada por Andreessen Horowitz e General Catalyst, quase triplicou de valor em relação à Série B e agora opera em 11 mercados da América Latina, incluindo o Brasil.
A Felix entrou para o clube dos unicórnios. A fintech fundada em 2020 nos Estados Unidos anunciou uma rodada Série C de US$ 200 milhões coliderada pela Andreessen Horowitz e pela General Catalyst, operação que avalia a companhia em aproximadamente US$ 1,4 bilhão.
A estrutura da rodada é dividida em duas partes. São US$ 87 milhões em equity, liderados pela a16z crypto, com participação de QED Investors, Castle Island Ventures, Switch Ventures, Contour Venture Partners e Endeavor Catalyst. Os outros US$ 113 milhões vêm em linha de crédito do Customer Value Fund, da General Catalyst, destinada a financiar o float operacional da plataforma.
O salto de valuation chama atenção. Na Série B, de US$ 75 milhões liderada pela QED, a empresa valia US$ 484,5 milhões. O novo número representa uma alta de quase três vezes.
A Felix nasceu da experiência pessoal dos fundadores Manuel Godoy, venezuelano, e Bernardo García, mexicano, ambos formados em Wharton, com as barreiras que o sistema financeiro americano impõe a imigrantes latinos. O produto ataca justamente a necessidade financeira mais urgente desse público: enviar dinheiro para casa.
O diferencial técnico está na descomplicação do câmbio. As operações são liquidadas com a stablecoin USDC no backend, enquanto o usuário faz tudo por uma conversa de WhatsApp conectada à carteira digital de sua escolha. No Brasil, segundo informações da própria companhia, as transações são feitas diretamente via Pix, sem intermediação bancária.
Do lado da distribuição, a estratégia foi se acoplar a plataformas que já tinham audiência. Em janeiro de 2024, a Nu México passou a permitir que seus clientes recebessem dinheiro dos Estados Unidos por dentro da Conta Nu, em parceria com a Felix. A lista de parceiros inclui ainda Mastercard, Intermex, Uniteller, dLocal e Checkout.com.
Com o capital novo, a companhia anuncia uma virada estratégica que vai além da transferência internacional. O plano é lançar produtos de crédito e poupança desenhados para o imigrante latino, transformando uma relação de envio ocasional de dinheiro em um relacionamento financeiro completo.
A Felix opera hoje em 11 mercados latino-americanos, entre eles México, Colômbia, Equador, El Salvador, Brasil, Costa Rica, Honduras e Peru, e pretende seguir se expandindo pela região. A empresa não divulgou metas numéricas para essa expansão.
"Nossa ambição é oferecer uma experiência financeira no nível do Goldman Sachs, com a simplicidade de uma conversa, a pessoas que o sistema financeiro historicamente ignorou", afirmou o CEO Manuel Godoy.
Fonte original: Startups



