Em um momento em que o mercado de tecnologia comemora crescimento acelerado, um levantamento inédito destaca um problema silencioso nas empresas brasileiras: a falta de controle financeiro sobre os gastos em nuvem. O Radar da Nuvem, plataforma de benchmarks de custos e eficiência em cloud computing, acaba de divulgar os resultados de uma pesquisa realizada com mais de 100 empresas no Brasil, com análise de mais de 3.000 dados coletados ao longo de 2025.
Os números são expressivos: 65% das empresas não têm visibilidade sobre onde o dinheiro investido em nuvem está sendo gasto. Em 57% delas, os responsáveis sequer conseguem prever quanto será a fatura do mês seguinte. O diagnóstico aponta que o problema não é técnico — é de governança corporativa.
O contexto dos outros países mostra que o problema é sistêmico: segundo pesquisa da Grand View Research (2025), dos R$ 324 bilhões gastos anualmente com cloud computing na América Latina, estima-se que R$ 101 bilhões — cerca de 31% do total — poderiam ser alocados de forma mais eficiente.
TI no comando do orçamento, sem accountability financeiro
Um dos achados mais relevantes do estudo é estrutural: em 56% das empresas, o responsável pelo orçamento de nuvem é o gestor de Tecnologia da Informação, e não a área financeira. Isso significa que o time técnico — cobrado por velocidade e performance, não por economia — acaba tomando decisões de consumo sem os incentivos corretos para conter desperdícios.
"O que vemos é um descompasso estrutural. O time técnico é cobrado por velocidade e performance, não por economia. O resultado é um desperdício de dinheiro absolutamente desnecessário", afirma Lúcio Cordeiro, CEO da Samax, empresa responsável pela plataforma e pelo estudo.
FinOps ainda é exceção, não regra
A pesquisa também revela que a prática de FinOps (Financial Operations) — área dedicada a otimizar os custos de cloud com responsabilidade compartilhada entre TI e Finanças — ainda é incipiente no Brasil. Apenas 19,5% das empresas contam com uma pessoa ou equipe dedicada ao tema. Os outros 80% tratam a fatura de nuvem como uma "conta de luz": recorrente, inevitável e pouco gerenciável — muitas vezes dolarizada e vulnerável à variação cambial.
Sobre o Radar da Nuvem
O Radar da Nuvem é uma iniciativa da Samax (plataforma de inteligência financeira de nuvem), desenvolvida em parceria com a Talentum e com apoio da Magalu Cloud e da Confraria Tech. O relatório de 2025 foi apresentado no dia 07 de abril de 2026.
Para a Magalu Cloud, o apoio ao projeto tem caráter estratégico. "O diagnóstico realizado pelo Radar da Nuvem permite nos aprofundar no comportamento de consumo dos clientes em nuvem. Nossa participação reforça o compromisso de democratizar o acesso ao serviço de nuvem com responsabilidade, previsibilidade de custos e pagamento em real, sem a volatilidade cambial do dólar", diz Rodrigo Schiavini, diretor de revenue da companhia.
O que vem por aí: Radar da Nuvem 2026
Na sequência do lançamento da pesquisa, a Samax já anuncia o início da coleta de dados para a edição 2026 e um novo modelo que traz uma inovação metodológica relevante: a separação das trilhas de pesquisa em dois públicos distintos.
Trilha Finanças — voltada a CFOs e CEOs, com foco em governança e unit economics Trilha Tecnologia — voltada a CTOs e equipes de DevOps, com foco em arquitetura
"Em 2026, queremos dar ao mercado o primeiro diagnóstico comparativo real: o que o CFO acha que gasta versus o que o CTO sabe que gasta. O objetivo é ajudar as empresas a pararem de queimar caixa e investirem em crescimento", diz o executivo da Samax.
Sobre a Samax. A Samax é uma plataforma de inteligência financeira de nuvem focada em ajudar empresas a obterem visibilidade, previsibilidade e eficiência nos seus investimentos em cloud computing.
Sobre a Magalu Cloud. A Magalu Cloud é a plataforma de serviços de computação em nuvem criada pelo Magalu. Utilizando as particularidades locais e acompanhando as tendências do mundo para antecipar as necessidades de cada negócio.


