A Crusoe levantou mais de US$ 3 bilhões em rodada colíderada por Atreides Management e Valor Equity Partners, atingindo valuation de aproximadamente US$ 30 bilhões — o triplo do valor registrado em outubro de 2025.
Há seis anos, a Crusoe queimava gás natural que as petroleiras não conseguiam escoar para alimentar equipamentos de mineração de criptomoedas em campos remotos. Hoje, é uma das empresas privadas mais capitalizadas da infraestrutura de inteligência artificial.
A companhia levantou mais de US$ 3 bilhões a um valuation de cerca de US$ 30 bilhões. A rodada foi colíderada pela Atreides Management e pela Valor Equity Partners, com participação da Mubadala Capital, braço de gestão de ativos do fundo soberano de Abu Dhabi.
O salto é expressivo. Em outubro de 2025, a Crusoe valia aproximadamente US$ 10 bilhões, quando fechou uma Série E de US$ 1,375 bilhão que trouxe Nvidia, Fidelity e Founders Fund ao lado de Valor e Mubadala.
De gás desperdiçado a campi de IA
Fundada em 2018 por Chase Lochmiller e Cully Cavness, a Crusoe nasceu capturando gás natural desperdiçado em campos de petróleo e convertendo-o em energia para data centers portáteis. A expertise energética acabou se revelando o ativo mais valioso da empresa quando a infraestrutura de IA virou o gargalo do setor.
No início de 2025, a companhia vendeu sua unidade de mineração de bitcoin para a NYDIG. Hoje projeta e opera campi completos de IA, em vez de alugar espaço de terceiros. O campus de Abilene, no Texas, construído para OpenAI e Oracle, é a primeira fase do projeto Stargate.
A rodada teria sido costurada após a Crusoe fechar um contrato de US$ 13 bilhões e cinco anos para fornecer GPUs e infraestrutura de IA à Jane Street, firma de trading quantitativo, por meio do Crusoe Cloud.
Receita rumo a US$ 2 bilhões
A companhia não divulga balanço, mas estimativas da TSG Invest apontam que a receita saiu de cerca de US$ 276 milhões em 2024 para algo próximo de US$ 998 milhões em 2025, impulsionada pelo Stargate e pela expansão do braço de nuvem. As projeções indicam mais de US$ 2 bilhões em 2026.
Em publicação de fevereiro, a própria Crusoe informou crescimento de cerca de 17 vezes no valor total de contratos adicionados, alta de 150% no ARR de nuvem e expansão de aproximadamente 70% na base de novos clientes durante 2025.
A vantagem que sustenta a margem é energética: a empresa afirma operar com custo de energia de 30% a 50% abaixo do de hyperscalers tradicionais, em um negócio no qual energia responde por 60% ou mais da despesa operacional de um data center de IA.
O reposicionamento coloca a Crusoe em rota de colisão direta com CoreWeave, Nebius e Lambda. A Synergy Research Group estima que a receita total das chamadas neoclouds superou US$ 25 bilhões em 2025 e projeta um mercado de quase US$ 400 bilhões até 2031, com crescimento anual de 58%.
Fonte original: Startups


