Fundada em 2019, a Cora chegou ao primeiro trimestre de 2026 com mais de 1,7 milhão de clientes e volume de pagamentos transacionados próximo de R$ 50 bilhões. A receita cresceu cerca de 50% na comparação anual, e a fintech opera hoje em equilíbrio financeiro, sem depender de novas rodadas de capital. A última captação, uma Série B de US$ 116 milhões, aconteceu em 2021.
O novo produto será lançado em fase beta, com parceiros pontuais, e ainda terá oferta limitada a link de pagamento. A previsão é ampliar gradualmente para maquininhas físicas e para a tecnologia Tap to Phone, que transforma o celular em terminal de pagamentos sem a necessidade de hardware adicional.
A entrada da Cora em adquirência intensifica a disputa em um mercado dominado por nomes como PagBank, Mercado Pago, Stone, InfinitePay e SumUp. A diferenciação prometida pela fintech está no custo. Segundo Senra, a Cora opera com um custo de servir de cerca de R$ 14 por cliente, o que abre espaço para taxas mais agressivas do que as praticadas pela concorrência.
"Esse produto sozinho vai ser maior do que toda a Cora em dois ou três anos", afirma o cofundador e CEO da fintech. A frase resume a ambição da empresa, que busca usar a base já consolidada de clientes PJ para alavancar o cross-sell em adquirência sem precisar começar a aquisição do zero.
Em paralelo ao avanço em maquininhas, a Cora também anunciou a Central de Benefícios, uma rede de parceiros para oferecer serviços complementares aos empreendedores. A iniciativa reforça o posicionamento de "banco das PMEs" e cria um ecossistema para reter clientes em um mercado onde a competição vem se acirrando.
A movimentação chega em um momento em que rivais como a Fiserv investem em fábrica no interior de Minas Gerais para escalar a produção de terminais, e em que cada player das maquininhas busca apertar margens para manter a base. Para a Cora, a aposta é que o ganho operacional acumulado ao longo dos últimos seis anos seja a alavanca para entrar em um novo mercado já em escala.
Fonte original: Bloomberg Línea — https://www.bloomberglinea.com.br/startups/cora-apoiada-por-fundos-dos-eua-entra-em-maquininhas-apos-crescer-em-contas-pj/


