A iminência de um novo ciclo do El Niño colocou o mercado brasileiro de tecnologia climática em ritmo acelerado. Startups que atuam com prevenção e mitigação de riscos ambientais afirmam que a proximidade do fenômeno está encurtando as negociações e antecipando a assinatura de contratos de produtos de inteligência climática.
O alerta não é abstrato. Neste fim de semana, o Rio Grande do Sul voltou a registrar chuvas intensas, que deixaram cerca de 22 mil unidades sem energia elétrica e causaram estragos em 21 cidades, segundo boletim da Defesa Civil divulgado na manhã de domingo. Para os próximos meses, o Instituto Nacional de Meteorologia prevê chuvas acima da média na Região Sul e volumes abaixo da média no centro-norte do país.
A memória recente pesa nas decisões. Na última ocorrência do fenômeno, entre 2023 e 2024, o Brasil enfrentou as enchentes históricas no Rio Grande do Sul, além de secas severas na Amazônia e no Nordeste. O El Niño costuma ocorrer a cada cinco a oito anos, mas tem ganhado intensidade com as mudanças climáticas.
Esse histórico transformou a percepção de urgência das empresas. Henrique Lucini Rocha, fundador da Fractal, climate tech especializada em inteligência hidroclimática, conta que o tempo médio de negociação de novos contratos despencou de 540 para 90 dias desde a tragédia gaúcha, movimento que ganhou força neste ano com a chegada do El Niño.
Na i4sea, comandada pelo fundador e CEO Mateus Lima, o efeito aparece na forma como os clientes passaram a usar as ferramentas. Segundo a startup, empresas já produzem, com apoio de agentes climáticos de inteligência artificial, relatórios sobre os possíveis impactos do El Niño em suas cadeias logísticas.
A mudança de comportamento também reorganiza a rotina das equipes. Clientes que chegaram por causa do fenômeno, relata a empresa, já sentam com o time de sucesso do cliente para entender por quanto tempo precisam se preparar e o que isso representa para a manutenção e a operação dos seus negócios.
O cenário indica que a inteligência climática deixou de ser um item de planejamento de longo prazo para virar prioridade imediata. Para as climate techs brasileiras, o desafio agora é escalar a capacidade de atendimento na mesma velocidade em que a demanda cresce.
Fonte original: Startups.com.br — https://startups.com.br/negocios/sustentabilidade/chegada-do-el-nino-acelera-contratos-de-startups-climaticas/


