A infratech adquiriu a provedora de serviços de crédito, que soma R$ 97 bilhões em ativos sob administração, e passa a disputar securitização e gestão de fundos com QI Tech, Vórtx e Kanastra. O valor não foi revelado.
A Celcoin, infratech de serviços financeiros, anunciou a compra da VERT Capital, uma das maiores provedoras independentes de serviços para o mercado de crédito no Brasil, especializada em operações estruturadas, securitização e administração de fundos. O valor do negócio não foi divulgado.
Com a aquisição, a companhia entra em uma vertical inédita para ela: o mercado de capitais. Até agora, a atuação da Celcoin em crédito parava na infraestrutura para originar, formalizar e operacionalizar transações — frente que atende centenas de clientes e origina mais de R$ 1 bilhão por mês.
A VERT cobre justamente a etapa seguinte, quando carteiras de crédito viram ativos negociados no mercado. Fundada há dez anos, a empresa tem cerca de 240 colaboradores, R$ 142 bilhões já emitidos em operações, aproximadamente R$ 97 bilhões em ativos sob administração e participação em mais de 490 operações envolvendo FIDCs, FIAGRO, FII, CRIs, CRAs e debêntures. A companhia também atua em tokenização de ativos e, desde 2024, opera como distribuidora de títulos e valores mobiliários, com mais de R$ 16 bilhões sob administração em FIDCs.
Para acompanhar a operação, a Celcoin promete investir R$ 500 milhões nos próximos três anos, sendo R$ 200 milhões destinados exclusivamente a tecnologia. A empresa projeta alcançar R$ 800 milhões de receita recorrente anual já em 2026, considerando a aquisição.
A compra da securitizadora e da gestora está concluída. A aquisição da DTVM ainda depende de aprovação do Banco Central.
"Construímos a Celcoin acreditando que a infraestrutura financeira precisava ser cada vez mais aberta, tecnológica e acessível. A chegada da VERT representa um novo capítulo dessa estratégia", afirmou Marcelo França, CEO da Celcoin, em comunicado. Segundo ele, o movimento amplia as possibilidades para os mais de 800 clientes da casa.
O discurso das duas companhias é de preservação da autonomia. "As soluções continuarão sendo oferecidas de forma modular e independente", disse Fernanda Mello, CEO da VERT. "Como parte da Celcoin, ganharemos capacidade de investimento para acelerar tecnologia, inovação, segurança e crescimento."
Com o movimento, a Celcoin passa a competir diretamente com QI Tech, Vórtx e Kanastra.
Apesar de ser a primeira compra de 2026, a VERT é a sétima aquisição da Celcoin desde 2022 e a segunda em menos de um ano. A sequência começou com a Galax Pay, de cobrança recorrente e subadquirência, seguida por Flow Finance, de infraestrutura de crédito, e Finansystech, de Open Finance, comprada por R$ 85 milhões. Depois vieram a regtech Regulatório+, a gaúcha CobranSaaS e, em novembro do ano passado, a Vulkan Labs, de motor de decisão de risco com IA.
Boa parte do combustível dessa esteira veio da rodada de R$ 650 milhões liderada pela americana Summit Partners em junho de 2024, com participação da Innova Capital, voltada explicitamente a crescimento orgânico e aquisições estratégicas. No mesmo ano, a empresa montou uma área dedicada a M&A.
Fonte original: Startups


