O BTG Pactual colocou em operação comercial o BTG Pay, plataforma que reúne maquininha, link de pagamento, gestão de recebíveis e um cartão de crédito exclusivo para transações entre empresas. Para viabilizar o produto, o banco criou uma bandeira própria e multiplicou por mais de dez o seu mercado endereçável em meios de pagamento.
O BTG Pactual iniciou na última sexta-feira (11) a operação comercial do BTG Pay, plataforma de pagamentos voltada ao público empresarial. A solução concentra em um único ambiente maquininha, link de pagamento, cartão de crédito para transações B2B e gestão de recebíveis, integrados à conta e às linhas de crédito que o banco já oferece.
A origem do produto está na Justa, fintech de meios de pagamento comprada pelo BTG Pactual em junho de 2025. Segundo Rogério Stallone, sócio e co-head do BTG Pactual Empresas, a adquirência era a última peça que faltava para o banco cobrir todas as necessidades financeiras de seus clientes corporativos.
"Com o BTG Pay, o empresário poderá pagar, receber, conciliar e se financiar numa única experiência", afirmou Gabriel Motomura, sócio e co-head do BTG Pactual Empresas, durante coletiva de imprensa.
Uma bandeira construída do zero
O destaque do lançamento é o cartão BTG Pay, desenhado para pagamentos entre empresas. Diferentemente de um cartão corporativo tradicional, o produto permite negociar prazo e limite a cada transação, com o banco financiando a diferença de capital de giro entre comprador e vendedor.
Para sustentar esse modelo, o BTG Pactual optou por criar uma bandeira própria, em vez de operar sobre redes como Visa ou Mastercard. "Temos um trilho de pagamentos próprio para garantir toda a flexibilidade que buscamos", explicou Motomura.
A estrutura funciona em arranjo fechado: o cartão só é aceito nas maquininhas do próprio BTG Pay, e comprador e vendedor precisam manter conta no banco. A abertura da bandeira a outras adquirentes e emissores deve ocorrer apenas quando o volume transacionado atingir o patamar definido pela regulação do Banco Central.
Os números da aposta
Segundo os executivos, o cartão B2B amplia em mais de dez vezes o mercado endereçável do banco em pagamentos. A conta soma R$ 4,5 trilhões do mercado tradicional de adquirência, R$ 11 trilhões em boletos pagos entre empresas e R$ 35 trilhões em transferências via TED e Pix no ambiente corporativo — um total de R$ 50,5 trilhões.
Motomura reconhece que a migração integral desse volume é um cenário hipotético. "Não vai acontecer uma migração completa, mas o tamanho dessa oportunidade é muito interessante", disse.
A plataforma estreia com recursos como geração de cobranças em lote, emissão de links a partir de notas fiscais, um Smart POS de duas telas, conciliação automática sem custo adicional e integração via API com mais de 200 softwares de gestão.
Há ainda um efeito colateral regulatório. Para Stallone, o modelo pode endereçar a exigência da duplicata escritural, cuja implementação foi adiada sucessivas vezes. "Não é que não vai ser registrado. Ele será registrado na registradora de cartões de crédito", afirmou, lembrando que essa infraestrutura opera desde 2020.
O cartão já está disponível para toda a base do BTG Pactual Empresas. Uma das cinco maiores companhias brasileiras em faturamento testa o produto em parte de sua carteira de contas a pagar.
Fonte original: Startups


