Sete estudantes de seis instituições brasileiras estrearam neste domingo (23) na segunda edição do World Humanoid Robot Games, em Pequim. É a primeira vez que o país monta uma seleção nacional para a competição, que vai até quarta-feira (26).
O robô reconhece a bola, caminha até ela e, na maior parte do tempo, consegue permanecer em pé. Para uma máquina lançada há apenas um mês, não é pouco. Para jogar futebol, ainda falta bastante: posicionamento, tomada de decisão, escolha do momento de atacar ou recuar.
Foi essa distância que sete universitários brasileiros tentaram encurtar em duas semanas de trabalho na China. A segunda edição do World Humanoid Robot Games — a Olimpíada de Robôs Humanoides — começou no sábado (22) e segue até quarta-feira (26) no National Speed Skating Oval, o Ice Ribbon, arena construída para os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, em 2022.
O Brasil disputa a categoria Humanoid Adult Size Soccer, uma das provas mais complexas do evento. As partidas reúnem cinco robôs de cada lado e seguem regras inspiradas nas da Fifa. A estreia foi contra a equipe chinesa D.D Fantasy, em jogo decisivo para a classificação às fases finais.
A grande mudança em relação a torneios tradicionais está no hardware. Em competições como a RoboCup, cada universidade constrói a própria máquina e desenvolve o software que a controla. Em Pequim, todos os robôs são do mesmo modelo e foram fornecidos pela organização. O equipamento é o Booster T2, lançado oficialmente em julho pela chinesa Booster Robotics — ou seja, nenhuma equipe chegou à China com experiência acumulada no aparelho.
"Recebemos um robô que chuta mais ou menos, defende mais ou menos e não se posiciona de jeito nenhum. Agora, precisamos fazê-lo jogar em equipe", disse ao NeoFeed Flavio Tonidandel, vice-presidente da RoboCup Brasil e da RoboCup Federation, fundador da SocialDroids e técnico da seleção.
A equipe reúne Lucas Reis, do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás; Isabela Moura e Riel Joaquim, da Universidade Federal de Pernambuco; Pedro Pizarro, da USP; Caio Lucena, da Universidade do Estado da Bahia; Guilherme Escudeiro, do Centro Universitário FEI; e João Victor Aguiar, pesquisador de robótica e inteligência artificial.
Os brasileiros desembarcaram em Pequim em 8 de agosto e começaram a trabalhar com as máquinas três dias depois. O prazo curto exigiu migrar códigos desenvolvidos para versões anteriores do robô e testar as adaptações em campo de tamanho real. Para ganhar tempo, o grupo dividiu as frentes: parte do time cuidou da movimentação, parte do posicionamento e da tomada de decisão coletiva.
"É como se a gente estivesse fazendo um jogador da base virar um Vini Jr. O robô sabe andar, sabe onde está e sabe o que é uma bola. Agora, a gente tem que fazer ele jogar futebol", afirmou Pedro Pizarro ao NeoFeed.
O desafio técnico vai além do chute. É preciso programar quem assume o ataque, como os robôs se comunicam entre si, onde o defensor se posiciona e qual o melhor ângulo de fechamento para o goleiro — tudo de forma autônoma, sem controle humano durante a partida.
A competição chega em um momento de aceleração do setor. A chinesa Unitree estreou na bolsa de Xangai com alta de 460% e passou a valer US$ 50,7 bilhões, e fabricantes de humanoides viraram a aposta mais quente do venture capital global em hardware. Para o Brasil, a estreia da seleção funciona como vitrine da base acadêmica que o país já construiu em robótica e inteligência artificial embarcada.
Fonte original: NeoFeed e Forbes Brasil


