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    BNDES aprova R$ 84,86 mi para a HT Micron desenvolver dispositivos semicondutores

    O financiamento sai do Programa BNDES Mais Inovação e vai bancar pesquisa e modernização do parque fabril de São Leopoldo (RS) para que a empresa passe a montar, encapsular e testar no Brasil dispositivos de memória hoje majoritariamente importados.

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    Redação

    22 de setembro de 20264 min de leitura
    BNDES aprova R$ 84,86 mi para a HT Micron desenvolver dispositivos semicondutores

    O financiamento sai do Programa BNDES Mais Inovação e vai bancar pesquisa e modernização do parque fabril de São Leopoldo (RS) para que a empresa passe a montar, encapsular e testar no Brasil dispositivos de memória hoje majoritariamente importados.

    A HT Micron Semicondutores teve aprovado pelo BNDES um financiamento de R$ 84,86 milhões para sustentar seu plano de inovação. Os recursos serão aplicados em pesquisa e na modernização da fábrica gaúcha, com foco no desenvolvimento de dispositivos semicondutores.

    O centro da operação é a nacionalização de duas classes de produto. A empresa vai adicionar à linha produtiva a capacidade de montagem, encapsulamento e teste de dispositivos de memória em tecnologia LPDDR5X, além de avançar na montagem de uMCP — encapsulamento que combina memória volátil e armazenamento não volátil em um único componente e é peça central em smartphones e dispositivos móveis.

    A escolha técnica acompanha o ciclo da inteligência artificial. A LPDDR5X é atualmente o padrão de memória DRAM de baixo consumo com maior adoção comercial em produtos de alto desempenho, presente na nova geração de smartphones, tablets e notebooks, em sistemas automotivos, em computação de alto desempenho e em cargas de trabalho de IA. Aplicações como aprendizado de máquina e análise de grandes volumes de dados pressionam por mais capacidade de armazenamento, desempenho maior e consumo de energia menor.

    Até aqui, a atuação da HT Micron no Brasil se concentrava na etapa de encapsulamento e teste de circuitos integrados destinados à indústria de tecnologia da informação e comunicação. Com o projeto aprovado, a companhia passa a dominar e executar no país os processos de montagem avançada desses dispositivos — uma categoria de produto que o Brasil hoje importa quase integralmente.

    "O desenvolvimento da cadeia de semicondutores nacional é fundamental para a fabricação da nova geração de produtos. A produção nacional reduz a dependência tecnológica e os custos logísticos, melhora a competitividade do mercado interno e desenvolve mão de obra local em atividades altamente qualificadas, aproximando o país dos padrões internacionais da fabricação de dispositivos semicondutores avançados", afirmou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.

    Do lado da empresa, o argumento é que o dinheiro público chega justamente na camada mais lenta de construir. "O financiamento do BNDES sustenta a camada que leva mais tempo para se formar em semicondutores, que são as equipes de engenharia, os laboratórios de caracterização e a cadeia de fornecedores organizada em torno da operação de São Leopoldo. É isso que permite tratar LPDDR5X e uMCP como produtos qualificados aqui, com engenharia de aplicação disponível ao cliente instalado no Brasil", disse Willyan Hasenkamp, diretor de Relações Institucionais da HT Micron.

    O executivo aponta que o ganho não se esgota nesta geração de memória. "As gerações de memória se sucedem rápido, e a cada uma delas a qualificação recomeça. É essa capacidade que fica no país", completou.

    A HT Micron nasceu em 2009 a partir de uma cooperação tecnológica entre Brasil e Coreia do Sul e tem sede em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. A companhia integra o grupo sul-coreano Hana Micron, fundado em 2001 e especializado em montagem, encapsulamento e teste de chips, além da fabricação de módulos e soluções de memória para eletrônicos, dispositivos móveis, servidores e Internet das Coisas. O grupo mantém operações na Coreia do Sul, no Vietnã e no Brasil.

    A aprovação se soma a uma sequência recente de cheques do banco de fomento para tecnologia. O BNDES já destinou R$ 120 milhões à Tractian para robôs de manutenção industrial com IA e R$ 300 milhões à Magalu Cloud para acelerar seu sexto data center, além de atuar com a Finep na estruturação de fundos de inteligência artificial que podem chegar a R$ 500 milhões.

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