Fundada pelo primeiro funcionário do Nubank, a fintech saiu do stealth em abril, integrou quase 40 credores e projeta encerrar 2026 com receita anualizada entre US$ 3 milhões e US$ 4 milhões apostando em um agente de inteligência artificial que acompanha o usuário até a contratação do crédito.
A Aro passou de R$ 100 mil originados em crédito por mês, em dezembro de 2025, para uma meta que fica entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões mensais até o fim deste ano. A fintech começou a operar em dezembro do ano passado, deixou o stealth mode em abril e agora prepara a fase seguinte de expansão.
A empresa foi fundada pelo CEO Pedro Milanez, primeiro funcionário do Nubank e cofundador da proptech Lastro, e por Yuri Mannes, ex-vice-presidente de inovação do BR Media Group. Segundo Mannes, a operação cresceu oito vezes em oito meses. A rodada que tirou a companhia do papel reuniu ONEVC, 17Sigma, Norte Ventures, a americana Gilgamesh e a Grão VC.
A tese parte de um problema criado pela própria expansão do mercado financeiro brasileiro. A multiplicação de cartões, contas e linhas de crédito ampliou as opções do consumidor, mas tornou a navegação mais complexa. Para o cofundador, os marketplaces resolvem só parte da questão: o usuário insere os dados, recebe dezenas de ofertas e descobre que poucas estão de fato aprovadas.
A proposta da Aro é um agente que não abandona o cliente na porta do parceiro. A inteligência artificial deve conduzir a jornada até o fim da contratação, no papel de um gerente de banco. Isso exige duas frentes: a camada conversacional e a de infraestrutura, que agrega dados de open banking e integra credores até então fora do radar dos comparadores.
Um exemplo dessa segunda frente está na conexão com correspondentes bancários que operavam à margem dos marketplaces, com esteiras de aprovação de quatro horas e coleta manual de documentos. A fintech assumiu a coleta de dados, a comprovação de vínculo empregatício a partir de fontes oficiais e a biometria.
Os números acompanharam. A operação chega a quase 40 credores integrados, somando conexões diretas e marketplaces. São 200 mil pessoas entrando no aplicativo por mês, e a base cruzou recentemente a marca de 600 mil usuários cadastrados — crescimento que a empresa descreve como 100% orgânico, puxado por boca a boca e pelas lojas de aplicativos.
A receita já bateu US$ 1 milhão anualizados e a projeção é fechar o ano entre US$ 3 milhões e US$ 4 milhões na mesma base. A monetização vem inteiramente do lado do parceiro, em três fontes: taxa de distribuição, remuneração por dados e serviços prestados aos credores. Cobrar do usuário, avalia Mannes, foi o que travou iniciativas anteriores de organização financeira no Brasil, como o Guiabolso.
Essa lógica de ecossistema levou a companhia a desmontar a própria operação de crédito, montada inicialmente com licença bancária de terceiros. O carve-out foi feito para eliminar um conflito de interesse, embora a experiência tenha servido para a empresa entender as dores do setor por dentro.
Fonte original:Startups


