Com 144 mil atletas ativos e operação lucrativa desde fevereiro, a startup brasileira de treinos com IA passou a competir com o Strava depois de ter o limite de integração negado pela plataforma americana. A meta é chegar a R$ 10 milhões em ARR em 2027.
A Zyla nasceu há menos de dois anos como uma assessoria de corrida operada pelo WhatsApp. Hoje é um aplicativo de treinos personalizados com inteligência artificial, usado por 144 mil atletas ativos. A empresa atingiu o breakeven em janeiro e, agora, se posiciona como concorrente direta do Strava, o app de registro de atividades mais popular entre corredores amadores.
A mudança de rota foi detalhada pelos fundadores em entrevista ao portal Startups, publicada nesta sexta-feira (25).
O gatilho: um limite de conexões
Até pouco tempo, a Zyla dependia de integrações com Strava, Garmin e Apple Watch para receber os dados de treino. A startup tinha 50 mil conexões disponíveis no Strava para seus usuários e, ao se aproximar desse teto, pediu a ampliação. O pedido foi negado.
A resposta foi desenvolver um GPS próprio, lançado recentemente. Com ele, a Zyla passa a controlar também o registro das atividades, sem depender de terceiros.
Aposta nos running clubs
O foco da nova fase são os clubes de corrida. Segundo o CEO, Guilherme Monteiro, esses grupos hoje usam um conjunto fragmentado de ferramentas: WhatsApp para conversas, links de pagamento em uma plataforma, desafios em outra e registro de treinos no Strava. A Zyla quer concentrar tudo em um único ambiente.
Além das planilhas de treino sob medida, o app já oferece espaços de conversa e desafios, inclusive patrocinados por marcas. Em breve, lançará áreas exclusivas para cada clube, com eventos, grupos e identidade visual própria, de modo que o treino compartilhado nas redes exiba a marca do clube.
Receita e metas
A principal fonte de receita vem de uma parceria de distribuição com o Wellhub. As assinaturas próprias aparecem em segundo lugar. A empresa não divulga o faturamento, mas afirma operar com lucro desde fevereiro.
A única captação da Zyla ocorreu em junho de 2025: cerca de R$ 500 mil com investidores-anjo. Com 12 funcionários, a startup diz não ter planos de buscar capital externo no momento.
As metas incluem chegar a 1 milhão de atletas ativos até o fim de 2027 e atingir cerca de R$ 10 milhões em receita recorrente anual a partir do próximo ano.
Rumo aos Estados Unidos
A internacionalização deve começar em janeiro de 2027, com os Estados Unidos como primeiro destino, impulsionada pela expansão do próprio Wellhub no mercado americano. Antes disso, a empresa pretende consolidar o novo modelo no Brasil ao longo do último trimestre de 2026.
Fonte original: Startups



