A startup de motos elétricas por assinatura alcançou a rentabilidade operacional e dobrou o faturamento recorrente anual em apenas quatro meses. Com 9 mil veículos em circulação e meta de 15 mil até dezembro, a empresa já negocia uma nova captação — agora com fundos de growth, e não mais com venture capital tradicional.
A Vammo cruzou a linha que separa a maioria das startups intensivas em ativos da sustentabilidade financeira. A empresa, que opera um ecossistema de assinatura de motos elétricas e pontos de recarga voltado a entregadores, atingiu o breakeven operacional e dobrou seu faturamento recorrente anual para mais de R$ 150 milhões em quatro meses.
Fundada por Jack Sarvary, ex-Rappi, e Billy Blaustein, ex-Tesla, a companhia atribui o resultado a dois fatores: foco geográfico e uso intensivo de inteligência artificial. A operação está concentrada na Grande São Paulo, com 26 municípios atendidos, e o público-alvo é um só — os cerca de 500 mil motoboys da capital paulista.
O modelo entrega uma economia de aproximadamente 30% frente às alternativas atuais do mercado, segundo a empresa. O efeito aparece na taxa de ocupação da frota, que chega a 97%. A Vammo optou deliberadamente por não manter lista de espera: na avaliação do CEO, o entregador precisa da moto imediatamente, e uma fila de um mês não resolve o problema dele.
O gargalo não é demanda, é oferta
O desafio da companhia hoje é inverso ao da maioria das startups em estágio de crescimento. A Vammo tem cerca de 9 mil veículos na frota e projeta chegar a 15 mil até o fim de 2026, com praticamente todo o caixa gerado sendo reinvestido em novas motos e em pesquisa e desenvolvimento.
Para financiar a frota, a empresa combinou equity e dívida. Em setembro do ano passado, levantou US$ 45 milhões em Série B liderada pelo Ecosystem Integrity Fund, do Vale do Silício, ao lado de Monashees e 2150 — os mesmos fundos que haviam comandado a Série A de US$ 30 milhões, em 2023. Neste ano, somou mais R$ 75 milhões em dívida junto à EXT Capital, recursos direcionados majoritariamente à compra de veículos. Somando as três rodadas de equity e a linha de dívida, a companhia já ultrapassou o equivalente a US$ 80 milhões levantados desde a fundação.
A inteligência artificial sustenta a eficiência operacional. Segundo Sarvary, 85% das interações de atendimento ocorrem sem intervenção humana, e os mesmos algoritmos rastreiam em tempo real a localização de cada moto e cada bateria, filtram alertas de segurança e dão suporte a mecânicos e aos times de atendimento e finanças.
Fundos de growth e expansão internacional
A nova captação deve sair até o fim deste ano, e o perfil do investidor mudou. Com fluxo de caixa comprovado e operação no azul, a conversa migrou do venture capital puro para fundos de growth. Em paralelo, a Vammo avalia linhas de fomento público, incluindo recursos do programa Mover, do governo federal, voltados à infraestrutura de recarga e à eletrificação de veículos de duas rodas.
O breakeven também destrava o plano internacional. Colômbia e México aparecem como mercados prioritários, ainda sem data definida. A meta de longo prazo declarada pela empresa é chegar a 1 milhão de motos na próxima década.
Fonte original: Startups



