A deeptech carioca de embarcações não tripuladas abriu escritório na Bélgica, já fechou o primeiro contrato no país e usa o mercado europeu como trampolim para Alemanha, França, Oriente Médio e Ásia-Pacífico. A companhia projeta faturamento de cerca de R$ 30 milhões neste ano e está com uma captação em andamento.
A TideWise deu o primeiro passo internacional. A deeptech sediada no Rio de Janeiro, especializada em embarcações autônomas de superfície — os chamados Uncrewed Surface Vehicles (USVs) —, iniciou operação na Bélgica, onde abriu escritório e já assinou seu primeiro contrato.
Fundada em 2019 pelo engenheiro naval Rafael Coelho, CEO, e pelo engenheiro de software e especialista em robótica Sylvain Joyeux, CTO, a empresa desenvolve ecossistemas marítimos autônomos para os setores de defesa e offshore. Seu produto principal é o USV Tupan, a primeira embarcação do tipo registrada e autorizada a operar no Brasil pela Marinha. O barco roda software proprietário da TideWise e é comandado à distância a partir de um Centro de Operações Remotas desenvolvido pela própria companhia.
A escolha da Bélgica como porta de entrada é estratégica. A partir dali, a empresa pretende avançar sobre Alemanha e França e, na sequência, Oriente Médio, Malásia e Austrália — mercados já mapeados presencialmente. A aquisição de empresas locais está entre as alternativas avaliadas para acelerar a entrada nessas regiões.
Rodada aberta e receita dobrando ao ano
Para financiar a escalada, a TideWise mantém uma rodada de investimentos em andamento. Além de bancar a operação europeia, a captação deve ampliar a frota de embarcações no Brasil, onde a startup já atendeu Petrobras, PRIO, Halliburton, Equinor e a Marinha.
A companhia vem praticamente dobrando o faturamento a cada ano desde 2023 e projeta manter o ritmo em 2026, com receita já contratada que deve levá-la a cerca de R$ 30 milhões. A equipe deve encerrar o ano com aproximadamente 63 funcionários, acima da estimativa inicial. Desde a fundação, a TideWise captou cerca de R$ 15 milhões, incluindo um aporte de R$ 10 milhões liderado pela MSW Capital via fundo MultiCorp 2, que tem Embraer, BB Seguros, Baterias Moura e AgeRio como cotistas.
Um mercado rumo aos US$ 9,9 bilhões em 2030
O timing acompanha a expansão do setor. Dados da consultoria Fortune Business Insights apontam que o mercado global de embarcações autônomas movimentou US$ 5,2 bilhões em 2022 e pode alcançar US$ 9,9 bilhões em 2030 — alta de 90%.
O argumento comercial é de custo. Segundo o CEO, um USV de cerca de 19 metros pode substituir uma embarcação de aproximadamente 60 metros, gerando economia de 30% a 40% para companhias do segmento offshore, com corte em combustível e tripulação, além de redução na emissão de carbono. A frota mundial de embarcações de apoio não acompanhou o crescimento da demanda, o que tende a pressionar preços para cima e favorecer alternativas menores e mais baratas.
A empresa também estuda novas frentes. Uma delas é a logística marítima, combinando embarcações autônomas e drones para transportar cargas de um navio maior até plataformas sem interromper a operação principal. Outra é a transição energética da própria frota, com um projeto de propulsão híbrida a etanol — escolha que, segundo a companhia, faz mais sentido no Brasil do que as apostas globais em amônia e hidrogênio.
Fonte original: Startups



