O avanço foi impulsionado por megaoperações de crédito e por rodadas estratégicas de corporate venture capital. Entre os instrumentos utilizados, o equity respondeu por 49% do total, com US$ 1,48 bilhão distribuído em 116 rodadas. As seis captações via FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) somaram US$ 1,23 bilhão, ou 40% do montante, enquanto cinco operações de dívida totalizaram US$ 310 milhões, o equivalente a 10%. Outros formatos movimentaram menos de 1%.
O mercado brasileiro liderou como principal polo de atração de capital, ficando com 57% dos recursos da região. Rodadas de peso ajudaram a compor o número, como a captação da CloudWalk via FIDC e os aportes em equity de Enter e Pax. No recorte apenas de funding, o Brasil concentrou US$ 1,3 bilhão de um bolo regional de US$ 2,4 bilhões.
O setor de fintechs manteve a hegemonia na América Latina ao abocanhar 82% de todo o montante investido no período. A força do segmento reforça a posição do país como o principal destino de capital para serviços financeiros na região, em um trimestre marcado pela combinação de crédito estruturado e apostas em novas verticais.
Outro destaque foi o crescimento acelerado dos aportes em negócios com inteligência artificial, que somaram US$ 1,58 bilhão. O valor representa alta de 258% em relação ao trimestre anterior e de 103% na comparação anual. As startups classificadas como "IA enabled" concentraram US$ 1,32 bilhão, enquanto as "AI first" contabilizaram US$ 255 milhões, ou 16% do volume total direcionado ao tema.
Entre as rodadas individuais da semana, o Mercado Bitcoin captou R$ 100 milhões em investimento liderado pela Tether, no primeiro fechamento de uma rodada mais ampla que conta ainda com os fundadores da plataforma e com o Softbank. Reconhecida como o primeiro unicórnio cripto brasileiro, a empresa atende 4,5 milhões de clientes e acumula volume transacionado superior a R$ 155 bilhões.
Também se destacou a Bondy, HRTech de agentes de inteligência artificial, que recebeu R$ 2,5 milhões da Gupy para escalar sua tecnologia. Os números do trimestre reforçam um cenário de capital disponível, porém seletivo, com investidores priorizando crédito estruturado, fintechs consolidadas e teses de inteligência artificial com receita recorrente.



