Para o Google, o Brasil deixou de ser apenas um mercado consumidor de tecnologia e virou fonte de inovação. Durante o Demo Day em São Paulo, Henry Couto, Head do Google for Startups Accelerator, definiu o país como a "galinha dos ovos de ouro" da companhia, justamente por causa da capacidade das startups locais de criar soluções competitivas em um ambiente de capital mais escasso.
O executivo credita esse perfil à cultura de eficiência imposta pelo custo do dinheiro no país. "Empreender no Brasil é difícil. O dinheiro aqui é caro, temos 15% de juros", afirmou, ao comparar com mercados onde investidores aportam em ideias ainda em estágio de apresentação. No Brasil, segundo ele, a régua é outra: é preciso ter receita e dar lucro. O resultado são empresas que constroem tecnologia de alto nível com estruturas mais enxutas.
Esse diferencial levou o Google a priorizar o Brasil na busca por startups com potencial global. A principal ponte é o Google for Startups Accelerator, presente no país desde 2016. O programa dura dez semanas por edição e oferece mentorias, acesso a especialistas e conexões com diferentes áreas da companhia, com o objetivo de construir um relacionamento de longo prazo com os fundadores.
Henry faz questão de ressaltar que passar pela aceleração não é um caminho direto para investimento ou aquisição. Embora o Waze, comprado em 2013, seja um dos casos de sucesso mais lembrados, ele explica que o Accelerator foi desenhado para apoiar a evolução dos produtos e ampliar a conexão das startups com a rede do Google.
Ainda assim, o interesse pelo mercado brasileiro cresceu. Pela primeira vez, a big tech passa a contar com um fundo dedicado a empresas nacionais, em parceria com a Monashees. "É a primeira vez em 11 anos de Google que vejo que o interesse pelo Brasil realmente aconteceu", disse o executivo, ao anunciar a seleção de cinco startups para iniciar a estratégia de investir e, eventualmente, comprar uma empresa no país.
Anunciado em junho, o Gama Fund vai investir até US$ 10 milhões em startups AI-native em estágio pré-Seed ou Seed, nas quais a IA é estrutural ao produto. Os cheques serão de US$ 2 milhões por empresa, acompanhados de suporte técnico, mentoria, imersão internacional e até US$ 350 mil em créditos do Google Cloud.
As inscrições para o Accelerator seguem abertas nos canais oficiais. Para concorrer, as startups precisam já ter clientes, ter recebido ao menos um investimento e apresentar um projeto baseado em inteligência artificial, tema da edição atual. A data do próximo ciclo ainda não foi divulgada.
Fonte original: Startups — https://startups.com.br/negocios/google-for-startups-brasil-e-a-galinha-dos-ovos-de-ouro/



