O Brasil entrou oficialmente em uma nova fase de personalização no setor financeiro. É o que aponta o Galileo Adaptive Banking Report, divulgado pela Galileo Financial Technologies, plataforma de tecnologia financeira do grupo SoFi Technologies. Enquanto boa parte da América Latina ainda enfrenta desafios básicos de infraestrutura e de prevenção a fraudes, o país já voltou sua atenção para a experiência do usuário.
A pesquisa ouviu 337 CTOs e CIOs de empresas da região e revelou uma vantagem expressiva do Brasil: 50% das companhias brasileiras já alcançaram um nível avançado de personalização, ante uma média latino-americana de 21,1%. O dado coloca o país à frente de vizinhos que ainda concentram esforços em proteção e controle.
Um dos pontos que mais chamam a atenção é a mudança de prioridades. Diferentemente do restante da região, as empresas brasileiras não tratam mais a segurança como o único grande desafio. No México, a fraude ainda lidera isoladamente as preocupações dos clientes, com 50,9%. No Brasil, experiência do cliente e personalização (35,9%) já empataram com fraude e segurança (35,9%) no topo da lista.
Essa transformação tem relação direta com a rapidez com que o país adotou tecnologias em tempo real após o sucesso do Pix. Hoje, 82,6% das empresas brasileiras enxergam os serviços financeiros em tempo real como fonte direta de receita, bem acima da média regional, de 53,7%. O relatório descreve esse estágio como Adaptive Banking — um modelo que permite ajustar infraestrutura e experiência do cliente em tempo real, sem abrir mão do controle operacional.
A liderança se apoia em uma base técnica mais madura. Uma em cada quatro empresas brasileiras (25%) testa e lança novos serviços de forma contínua, quase o dobro do México (14,5%) e quatro vezes mais que a Colômbia (6,2%). Além disso, 31,5% conseguem transformar o feedback dos usuários em melhorias reais no produto em menos de dez dias, e 63% acreditam que sua infraestrutura seria capaz de escalar de forma permanente em até sete dias — mais que o dobro da média regional, de 29,7%.
Apesar da vantagem, obstáculos permanecem: 25% das empresas brasileiras apontam a infraestrutura legada como barreira para inovar mais rápido. Para manter a dianteira, o estudo reforça a importância de integrar as áreas de produto, TI e risco em um único ambiente de dados. O próximo passo, segundo o relatório, é o crescimento adaptativo, com 52,2% das companhias apontando as finanças incorporadas (embedded finance) como o principal motor de expansão futura.
Fonte original: Startupi — https://startupi.com.br/brasil-se-consolida-como-referencia-regional-em-personalizacao-financeira-aponta-pesquisa/



