A fintech Skalar deixou o modo stealth com mais de US$ 125 milhões em desembolsos já comprometidos para sete empresas de tecnologia. A empresa recebeu uma rodada seed liderada pela Monashees e fechou uma parceria de capital com o Customer Value Fund, da General Catalyst.
A Skalar financia um único tipo de gasto: o investimento de startups na aquisição de clientes, conhecido como CAC. O capital é não dilutivo e tem prazo alinhado ao retorno desse investimento. O valor da rodada seed não foi divulgado.
A fintech foi fundada por Sebastián Cárdenas, CEO e ex-investidor da Monashees, e Daniel Castrillón, COO.
Como funciona o modelo
A Skalar chama sua proposta de financiamento alinhado à performance. Diferentemente do equity, o custo do capital tem um teto quando a empresa vai bem. Diferentemente da dívida tradicional, a fintech divide as perdas quando os resultados ficam abaixo do esperado.
A empresa se posiciona como alternativa à venture debt, modalidade em que o risco fica todo com a startup tomadora. Segundo a Skalar, o produto é significativamente mais barato que o equity e não traz o risco de quebra associado à dívida.
Castrillón atribui o modelo ao uso de dados detalhados de cada negócio, o que a empresa chama de Precision Financing. Essa análise permite estruturar o capital sob medida e identificar quais empresas podem acelerar com mais recursos em vendas e marketing.
Quem pode receber
O foco são empresas de tecnologia com product-market fit comprovado, unit economics sólidos e investimento mensal em aquisição de clientes entre US$ 100 mil e US$ 3 milhões.
O modelo é seletivo. A Skalar quer fechar parcerias de longo prazo com até 15 empresas por ano, de setores variados. Os sete acordos já assinados envolvem companhias da América Latina e dos Estados Unidos, cujos nomes não foram revelados.
A origem na Monashees
A ideia nasceu dentro da Monashees. Quando era investidor da gestora, Cárdenas liderou a aplicação do modelo do Customer Value Fund (CVF), da General Catalyst, em três empresas do portfólio. A Monashees foi o primeiro fundo a testar esse formato na América Latina.
Segundo a Skalar, os resultados convenceram a General Catalyst de que a região merecia um canal dedicado. A fintech foi criada para levar o modelo além do portfólio da Monashees.
Para Caio Bolognesi, sócio da Monashees, a Skalar é uma peça de infraestrutura para a nova geração de empresas, sobretudo as nativas em IA, que crescem e gastam em ritmo mais acelerado.
Andrew Ziperski, sócio do CVF, defende que as empresas usem equity em apostas de produto e P&D e capital mais barato em gastos previsíveis, como aquisição de clientes. Segundo ele, a maioria das startups latino-americanas nunca teve acesso a essa segunda opção.
Por que importa
O lançamento chega em um momento de capital escasso para rodadas de crescimento no Brasil. Ao financiar o CAC sem diluição, a Skalar oferece às startups em expansão uma alternativa entre levantar equity caro e contrair dívida arriscada.
Fonte original: Skalar (release)



