A Reescola, startup especializada em reindustrialização de mobiliário escolar, negocia com três prefeituras a implantação de Centros de Reindustrialização dentro da estrutura municipal. A ideia é que os municípios recuperem carteiras e cadeiras antes de fazer novas compras.
A Reescola afirma ter atendido mais de 300 escolas públicas e privadas e reindustrializado mais de 10.000 conjuntos escolares. A startup usa tecnologia proprietária para transformar móveis usados em produtos padronizados e informa ter fornecido mobiliário reindustrializado para a Prefeitura de Sorocaba, no interior paulista.
Agora, a empresa quer levar esse modelo, que já funciona internamente, para dentro das próprias prefeituras. A proposta é transformar o reaproveitamento de móveis em uma operação contínua de gestão patrimonial.
Como os centros funcionariam
No formato em desenvolvimento, o município entraria com galpão, maquinário, equipe e componentes de reposição. A Reescola ficaria responsável por engenharia, processos industriais, capacitação, supervisão técnica e software para acompanhar o inventário, as intervenções e os indicadores de recuperação dos móveis.
Os primeiros centros ainda estão em fase de negociação e desenvolvimento, sem implantação concluída até o momento. A intenção é que os projetos iniciais permitam medir custos, capacidade produtiva, taxa de reaproveitamento, vida útil, geração de empregos e impacto ambiental antes de uma eventual expansão para outras cidades.
O tamanho da rede
O Brasil tem 106.572 escolas municipais, segundo o Censo Escolar 2025, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A negociação com as prefeituras ocorre diante da dimensão dessa rede e da necessidade de renovar o mobiliário das salas de aula.
Base legal
A discussão encontra respaldo em duas normas federais. A Lei nº 14.133/2021 permite considerar custos de manutenção, utilização, reposição, depreciação e impacto ambiental na avaliação do ciclo de vida dos bens, quando objetivamente mensuráveis. Já a Estratégia Nacional de Economia Circular, instituída pelo Decreto nº 12.082/2024, prevê o estímulo às compras públicas circulares e à ampliação da vida útil dos materiais.
Recuperar ou substituir
A viabilidade depende de critérios técnicos e financeiros. Móveis com comprometimento estrutural podem exigir substituição, enquanto outros precisam passar por intervenções e testes para garantir estabilidade, ergonomia e segurança. A conta também precisa incluir mão de obra, materiais, transporte e manutenção, comparados ao valor de novos conjuntos.
"Não basta recuperar uma carteira e afirmar que houve economia. É necessário demonstrar quanto custou a intervenção, se o móvel atende aos requisitos de qualidade, qual será sua vida útil e quanto o município efetivamente deixou de gastar", afirma Laura Camargos, CEO e cofundadora da Reescola.
Com o modelo, a startup também quer mostrar que GovTechs podem contribuir para a gestão pública além da digitalização de serviços, combinando tecnologia, engenharia e capacitação para ampliar a capacidade operacional dos municípios.
Fonte original: Reescola (comunicado à imprensa)



