Lançada em maio de 2026, a healthtech que usa inteligência artificial para organizar a jornada de pacientes com doenças raras já soma mais de 200 mil acessos mensais e projeta faturar R$ 20 milhões em 2027.
Crédito: esta reportagem tem como base matéria publicada originalmente pela Exame. Leia o texto original em exame.com.
Segundo reportagem da Exame, a Raras Health, healthtech brasileira que aplica tecnologia e inteligência artificial ao diagnóstico e ao tratamento de doenças raras, quer chegar a uma receita de R$ 100 milhões até 2030. A meta intermediária é faturar R$ 20 milhões já em 2027.
A empresa foi fundada pelo empresário Dimas Timmers e pelo pneumologista Alexandre Kawassaki. Timmers passou por cerca de 50 médicos ao longo de mais de 20 anos até descobrir a própria condição. Kawassaki trabalha com doenças raras desde 2009.
Da base de dados ao WhatsApp
A ideia começou a ser desenvolvida no ano passado e a plataforma foi lançada em maio de 2026. Hoje, registra mais de 200 mil acessos mensais e atende centenas de pacientes por dia.
Antes de crescer, a startup montou uma base com informações sobre mais de 10 mil doenças raras e mapeou especialistas e centros de referência. Os fundadores investiram R$ 200 mil em capital próprio nessa etapa.
O serviço funciona em uma plataforma digital e em uma assistente virtual no WhatsApp, que ajuda o usuário a tirar dúvidas, organizar informações clínicas e encontrar caminhos para a investigação médica. A empresa também oferece uma carteirinha digital e acesso a uma rede de especialistas.
Planos de R$ 50 e R$ 500
O modelo combina acesso gratuito e assinaturas. O plano de R$ 50 mensais dá acesso a consulta especializada. O de R$ 500 mensais inclui uma jornada mais completa, com recursos de genômica e acompanhamento.
Há ainda uma frente corporativa, com soluções para farmacêuticas, planos de saúde e governos. Para a indústria, a plataforma pode localizar pacientes ainda sem diagnóstico e conectá-los a tratamentos. No setor público, a proposta é acelerar a triagem e reduzir filas.
A inteligência artificial atua como apoio: analisa prontuários, levanta hipóteses diagnósticas e organiza dados para a equipe médica. A confirmação do diagnóstico continua com os profissionais de saúde. "O nosso objetivo é usar a inteligência artificial para tornar essa jornada mais eficiente, sem substituir o médico", afirma Kawassaki.
Linhas de cuidado e comitê científico
A empresa quer organizar o atendimento por doença, com linhas de cuidado que reúnem consultas, fisioterapia e nutrição. Médicos podem criar as próprias linhas e oferecê-las aos pacientes sem pagar pela plataforma; o paciente paga pela jornada e o profissional ganha uma nova fonte de receita. A Raras Health afirma ter mais de 30 médicos em seu comitê científico.
Estados Unidos e Portugal
Em 2026, a startup começou a preparar a entrada nos Estados Unidos, onde os fundadores desenvolvem um laboratório genético. Segundo Timmers, o sequenciamento de um genoma custa hoje quase R$ 10 mil ao consumidor, e a tecnologia da empresa, somada à escala do mercado americano, permitiria reduzir esse valor para cerca de 10% do preço atual.
Os fundadores também mantêm conversas para uma possível chegada a Portugal. De acordo com eles, a carteira de negociações já inclui projetos que podem sustentar a meta de 2027.
Fonte original: Exame — "Startup usa IA para acelerar diagnósticos de doenças raras e faturar R$ 20 milhões"



