Liderada pelo engenheiro Eduardo Moura, formado pela Unicamp, a Pulse Mais já atendeu mais de mil jovens de baixa renda em pouco mais de três anos. Mais de 180 concluíram os programas de qualificação da ONG, e 45 foram contratados em 2025.
A Pulse Mais é uma organização sem fins lucrativos que prepara jovens de baixa renda para carreiras em tecnologia. A iniciativa começou como um projeto voluntário criado por Thiago Lima, executivo do Google que também veio da periferia e teve a trajetória mudada por uma empresa de tecnologia.
Eduardo Moura, engenheiro formado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ajudou a estruturar e profissionalizar o projeto e hoje é diretor da organização. Homem LGBTQIAPN+, ele se define como empreendedor social.
Da faculdade ao impacto social
A primeira experiência empreendedora de Moura foi ainda na graduação. Com colegas, ele criou um negócio de impacto voltado a nano e microempreendedores do entorno da universidade. O grupo captou recursos e chegou a operar, mas o projeto não se sustentou.
O fracasso, segundo ele, confirmou a decisão de seguir carreira no impacto social. Na Pulse Mais, encontrou o encaixe entre dois lados: jovens talentosos sem rede nem acesso a oportunidades e um mercado de tecnologia com falta de profissionais qualificados.
Método e números
A ONG usa uma metodologia própria que combina aulas interativas, mentorias com executivos de grandes empresas, bolsas de estudo e conexão direta com vagas no setor. A escolha da tecnologia se explica pela remuneração acima da média e pelo crescimento acelerado da área.
Em pouco mais de três anos, a Pulse Mais alcançou mais de mil jovens. Mais de 180 concluíram os programas de qualificação profissional. Em 2025, a organização registrou 45 jovens empregados no setor.
Os primeiros anos exigiram consolidar a marca, montar um modelo sustentável e captar recursos. "Fizemos muito com pouco", resume Moura.
Inclusão como estratégia de negócio
Parte do trabalho do diretor é aproximar a ONG do setor privado. Ele defende que as empresas deixem de tratar a inclusão de jovens periféricos como filantropia e passem a vê-la como investimento estratégico.
O argumento apresentado às lideranças empresariais é que esses jovens ajudam a resolver problemas concretos das empresas, como a escassez de talentos, a necessidade de inovação e de diversidade e a competitividade no futuro do trabalho.
Para Moura, cada contratação tem efeito além do indivíduo, porque aumenta a renda familiar, inspira irmãos e vizinhos e amplia a diversidade nos espaços de decisão.
Próximos passos
A meta declarada da organização é levar milhares de jovens ao mercado de tecnologia. Moura diz que quer ver essa geração não só empregada, mas também liderando equipes, empreendendo e influenciando políticas públicas.
"Meu real desejo é que, um dia, organizações como a Pulse Mais sejam menos necessárias, porque o sistema terá se tornado mais justo", afirma.
Fonte original: Pulse Mais (release) — https://pulsemais.org.br/



