A healthtech criou uma camada de inteligência que correlaciona exames laboratoriais, variantes genéticas, histórico familiar e hábitos de vida para apontar riscos durante a consulta. A meta é alcançar 30 mil profissionais de saúde e faturar R$ 8 milhões em três anos.
A PoliHealth nasceu de um incômodo simples: o exame genético preventivo chegava ao consultório, mas não virava conduta clínica. "O profissional recebia centenas de informações e aquilo acabava virando um monte de PDF sem aplicação prática", afirma Rodrigo Faria Matheucci, fundador e CEO da startup.
A origem do negócio está na DNA Club, empresa de genética da qual Matheucci também é sócio. Durante a pandemia, a operação cresceu impulsionada pelos testes de covid-19, mas outro movimento chamou atenção: a demanda por exames genéticos preventivos. A startup foi estruturada a partir daí, ao lado de Felipe Spritzer, sócio investidor e advisor da empresa.
Uma camada de inteligência, não mais um prontuário
Em vez de lançar mais um software de prontuário eletrônico, a PoliHealth construiu uma camada que correlaciona exames laboratoriais, genética, histórico familiar e evolução clínica do paciente. A empresa criou uma base própria para cruzar alterações laboratoriais com variantes genéticas e literatura científica, em vez de recorrer apenas a modelos generalistas de IA.
O próprio CEO virou caso de uso. Seu mapeamento genético aponta para hemocromatose, condição já diagnosticada na mãe. Isoladamente, os exames não indicavam o problema — foi o cruzamento com a evolução de ferro e ferritina que fez a plataforma sinalizar a necessidade de acompanhamento.
"A PoliHealth não vai substituir o médico. Ela aponta quais são os pontos críticos daquele paciente, algo que muitas vezes passa despercebido pela quantidade de exames e pela velocidade da consulta", diz Matheucci.
A questão de privacidade foi endereçada no desenho do produto. A plataforma anonimiza dados, permite que o paciente controle quais profissionais acessam seu histórico e opera em conformidade com a LGPD. A empresa afirma não comercializar informações com seguradoras, laboratórios ou farmacêuticas.
Consultórios como porta de entrada
A estratégia comercial começou pelos consultórios, e não por hospitais e operadoras — um ciclo de venda mais curto e uma validação mais rápida do produto.
O piloto reuniu cerca de 20 médicos e nutricionistas. Após aproximadamente 45 dias de ajustes, a startup liberou uma versão para 400 profissionais. Hoje a plataforma soma mais de 200 pacientes cadastrados, e parte dos participantes do piloto virou cliente pagante. O tíquete médio esperado fica entre R$ 300 e R$ 400 por mês.
O lançamento comercial está previsto para agosto, e a primeira vitrine será o Congresso Brasileiro de Nutrologia, em setembro, em São Paulo. Até o fim do mês, a empresa também pretende lançar um aplicativo que funciona como carteira digital de saúde, reunindo exames, vacinação e histórico clínico compartilháveis com médicos autorizados.
O contexto ajuda: neste ano, o SUS passou a incorporar o exame de exoma completo, sequenciamento que analisa os genes ligados a doenças.
Fonte original: Exame



