Conselheiro da RD Saúde, Antonio Carlos Pipponzi abriu o Day1, da Endeavor, relembrando a informatização pioneira da Droga Raia, a abertura de capital, a fusão com a Drogasil e a decisão de deixar o comando executivo.
Antonio Carlos Pipponzi foi o primeiro a contar sua história no Day1, evento da Endeavor realizado nesta segunda-feira (26) na Sala São Paulo. Diante do público, o empresário percorreu quase 50 anos de trajetória, da rede familiar de sete farmácias à RD Saúde, líder do varejo farmacêutico brasileiro.
A história começa em 1977. Pipponzi fazia mestrado na Escola Politécnica da USP quando o pai lhe ofereceu uma sala na empresa da família para terminar a tese. Não havia convite para assumir o negócio nem plano de sucessão. A Droga Raia, fundada pelo avô em 1905, em Araraquara, tinha apenas sete lojas.
Engenharia aplicada ao balcão
A formação de engenheiro mudou o olhar de Pipponzi sobre a operação. No fim dos anos 1970, a empresa mantinha estoques equivalentes a 120 dias de vendas, e ele enxergou nos computadores, ainda raros no varejo, uma forma de mudar esse quadro.
"A Droga Raia foi pioneira na adoção de terminais Itautec, recebendo o equipamento de número 0001", contou. Como ainda não havia código de barras, cada produto precisava ser cadastrado à mão.
A aposta reduziu os estoques de 120 para 30 dias e abriu espaço para a expansão. A rede passou de sete para 21 lojas e, depois, para centenas de unidades, atravessando décadas de hiperinflação e crises econômicas.
Bolsa, fusão e saída do comando
Em 2010, a Droga Raia abriu capital, em um momento pouco favorável ao mercado. Segundo Pipponzi, a decisão atendia em parte à necessidade de dar liquidez à família, que tinha boa parte do patrimônio concentrada no negócio. Ele reconheceu que talvez pudesse ter esperado mais e investido na expansão antes do IPO.
No ano seguinte, veio a fusão com a Drogasil, que deu origem à atual RD Saúde. Depois de 35 anos à frente da operação, Pipponzi deixou o comando executivo. "Abrir mão do comando doeu. Poder é uma coisa de que todo mundo gosta", admitiu.
Sucessão planejada
O tema da sucessão tem raízes na própria família: o avô morreu sem preparar quem daria continuidade ao negócio, o que obrigou o pai a assumir a farmácia. Pipponzi decidiu agir diferente e dedicou cinco anos à preparação da própria sucessão.
Após deixar a gestão executiva, ele presidiu o conselho de administração até 2025, quando passou o posto adiante. Segue como conselheiro, contribuindo com a estratégia e os planos de expansão. "Saí da gestão, não do sonho", resumiu.
Saúde e primeiro emprego
Hoje, Pipponzi diz que seu objetivo é ajudar a transformar a RD Saúde em uma grande promotora de saúde e bem-estar no país, aproximando serviços de cuidado da população e ajudando a aliviar a pressão sobre o sistema de saúde.
A companhia deve encerrar 2026 com cerca de 80 mil funcionários. De acordo com o empresário, cerca de meio milhão de jovens já tiveram na rede o primeiro emprego formal.
A edição de 2026 do Day1 também levou ao palco Sérgio Lopes e Edgar Diniz (LiveMode, dona da CazéTV), as irmãs Daniela e Juliana Binatti (Pismo), Carol Matsuse e Yuri Gricheno (INSIDER), Mariano Gomide (VTEX) e o bicampeão olímpico Bernardinho.
Fonte original: Endeavor (comunicado à imprensa)



