A OpenAI aprofundou sua operação brasileira e revelou que o país está entre os três maiores mercados da companhia em uso ativo, com 215 milhões de mensagens enviadas por dia no ChatGPT. A aposta para destravar receita corporativa são os Forward Deployed Engineers, profissionais que entram no ambiente do cliente para fazer a IA funcionar na prática.
A OpenAI escolheu São Paulo para detalhar o tamanho da sua ambição no Brasil. Em evento realizado no centro da capital paulista, Oliver Jay, vice-presidente de estratégia e operações internacionais da companhia, afirmou que o país deixou de ser uma promessa. "O Brasil não é uma oportunidade futura para a OpenAI. Já é um mercado prioritário", disse.
Os números apresentados sustentam a leitura. O Brasil está entre os três maiores mercados da empresa em uso ativo, com 215 milhões de mensagens diárias no ChatGPT. O português é o oitavo idioma mais falado do mundo, mas o terceiro mais usado na plataforma. O país também é o segundo do mundo em desenvolvedores que utilizam a API da companhia e lidera globalmente o uso de geração de imagens.
No recorte corporativo, as contas empresariais brasileiras cresceram cinco vezes em um ano. Segundo Jay, 35% das mensagens enviadas no país têm relação com trabalho — resposta dada a quem imagina que o brasileiro usa a ferramenta apenas para entretenimento.
O gargalo não é o modelo
A peça central da estratégia local não é um produto, e sim gente. A OpenAI pretende contratar no Brasil um contingente de Forward Deployed Engineers, os FDEs, engenheiros que entram na operação do cliente e traduzem o contexto da organização para dentro da plataforma até que a IA consiga executar o trabalho.
"É bastante difícil fazer a IA gerar retorno hoje. A inteligência está lá. Mas não existe muito conhecimento sobre como implantar IA de um jeito em que as empresas realmente capturem esse valor", afirmou o executivo. "Você precisa de inteligência de fronteira e precisa de engenheiros de implantação de fronteira."
A empresa já vinha montando time local há cerca de um ano e havia anunciado escritório no país. Globalmente, a OpenAI diz trabalhar com mais de 2 milhões de empresas, e o segmento corporativo já responde por mais de 40% da receita, com expectativa de igualar a receita de consumidor até o fim de 2026.
Parcerias e clientes
A companhia anunciou acordos com o ITA, para levar o ChatGPT a alunos, professores e funcionários; com o IMPA e o Hospital das Clínicas da USP, voltados à pesquisa; e com o Sebrae, para um programa nacional de fluência em IA direcionado a pequenas e médias empresas. Também firmou parceria com a legaltech Enter para capacitação gratuita de mais de um milhão de advogados brasileiros.
Entre os clientes corporativos citados no palco estão Nubank, Mercado Livre, Itaú, CloudWalk, Localiza e O Boticário. Na frente de implementação, a empresa listou Capgemini, AWS, McKinsey e Accenture como parceiros globais.
Pano de fundo: IPO e concorrência
O reforço internacional acontece às vésperas da abertura de capital. A OpenAI protocolou pedido confidencial de registro nos Estados Unidos em junho, com Goldman Sachs e Morgan Stanley à frente da operação, e carrega avaliação de referência de US$ 852 bilhões, definida na rodada de março. Há relatos de que a listagem pode escorregar de setembro de 2026 para 2027.
A pressa também tem nome: a Anthropic protocolou seu próprio pedido de IPO em junho e, em abril, havia superado a OpenAI pela primeira vez em participação nos gastos corporativos com inteligência artificial. O Brasil é o terceiro maior mercado do Claude no mundo.
Sobre data centers no país, pauta que o governo brasileiro vem empurrando, Jay não assumiu compromisso e disse apenas que a empresa está aberta a investigar como isso poderia funcionar. Questionado sobre a investigação aberta pela ANPD a respeito do uso do ChatGPT por crianças, resumiu: "Em todo mercado, vamos cumprir todas as leis aplicáveis."
Fonte original: Startups



