A startup pernambucana Musique, que desenvolve arquitetura sonora para o varejo físico, opera em mais de 5.000 pontos de venda em 14 países da América Latina. Fundada em 2016 por André Domingues e Renato Alves, a empresa cresceu nove anos com recursos próprios até receber, em 2025, o primeiro aporte externo, da HiPartners.
A Musique desenvolve uma solução proprietária que combina música estratégica, sonoplastia programada e anúncios em áudio para ambientes físicos. Entre os clientes estão redes varejistas, hoteleiras e de academias.
A tese da companhia é que a música ambiente funciona como ferramenta de resultado, e não como entretenimento. No início, a operação consistia na curadoria de playlists de artistas do mercado para estabelecimentos comerciais.
Da Odebrecht ao empreendedorismo
Administrador de formação, André Domingues fez carreira na Odebrecht, onde chegou a gerente de suprimentos aos 24 anos. Depois de um MBA na Escócia, voltou ao Brasil no fim de 2015, em meio à crise econômica e política, e passou três meses sem conseguir uma entrevista de emprego.
"Arrisquei pois não tinha outra alternativa: ou eu fazia isso, ou ficava no LinkedIn procurando emprego e esperando", afirma o CEO. A empresa foi criada em 2016, com Renato Alves à frente da tecnologia.
Acervo próprio muda o modelo
Entre 2017 e 2019, o crescimento foi orgânico. A pandemia quase interrompeu a operação, mas a retomada trouxe a principal mudança de modelo: em 2023, a Musique montou um time próprio de compositores.
O acervo autoral soma hoje mais de 15 mil músicas. Segundo a empresa, isso permite personalizar a trilha de cada cliente e eliminar custos de direitos autorais que, para grandes redes, podem chegar a milhões de reais por ano em pagamentos ao Ecad.
Primeiro aporte após nove anos
Em 2025, a startup recebeu investimento da HiPartners, fundo brasileiro de venture capital especializado em retail techs. O valor não foi divulgado.
Domingues conta que, na primeira conversa, disse não precisar do dinheiro e perguntou o que mais o investidor tinha a oferecer. A resposta, segundo ele, foi a conexão com as grandes redes varejistas do país.
De acordo com a empresa, o aporte abriu acesso a diretores de marketing de redes como Ri Happy, Raia Drogasil e Marisa, além de clientes como a Volvo. A Musique informa ainda ter sido eleita uma das 30 startups mais inovadoras do Brasil, uma das três de Pernambuco na lista.
Mercado ainda em convencimento
A companhia atua hoje na convergência entre inteligência artificial, retail media e experiência do cliente. A proposta é reduzir custos fixos das marcas e criar novas fontes de receita a partir do áudio nas lojas.
Para o fundador, o obstáculo nunca esteve no produto. "O nosso grande desafio nunca foi construir a solução, foi convencer o mercado a enxergar a música como estratégia", diz Domingues.
Fonte original: Musique (comunicado à imprensa)



