Startup brasileira investiu US$ 4,2 milhões, sem recorrer a fundos de venture capital, em um modelo corporativo que roda na infraestrutura do cliente, é cobrado por licença anual e foi desenvolvido ao longo de 34 meses.
Crédito: esta reportagem tem como base matéria publicada originalmente pela Exame. Leia o texto original em exame.com.
Segundo reportagem exclusiva da Exame, publicada em 7 de outubro, a brasileira Lua Vision apresentou o Genesys PI, modelo de inteligência artificial voltado a empresas de setores regulados. O produto mira bancos, hospitais e escritórios de advocacia, com foco em crédito, saúde e direito.
A principal diferença está na cobrança. Em vez de pagar pelo volume de uso, o cliente contrata uma licença anual e executa o modelo em servidores próprios ou em sua nuvem.
Preço e implantação
De acordo com os fundadores, implantação e licenciamento partem de R$ 1 milhão por ano. Os custos de infraestrutura, como servidores, computação e armazenamento, ficam com o cliente, salvo previsão diferente em contrato.
A implantação ocorre em três etapas: levantamento de necessidades, configuração e adoção. O prazo começa em 60 dias e varia conforme a complexidade do projeto. O pacote inclui apoio na montagem da infraestrutura, recomendações de segurança, o modelo treinado e ferramentas de gestão e governança.
De onde veio o dinheiro
O investimento de US$ 4,2 milhões reuniu recursos dos próprios fundadores, de conselheiros e créditos de computação de laboratórios de treinamento. A empresa não seguiu o caminho tradicional do venture capital.
A liderança é formada por David Kang (CEO), Paulo Câmara (CTO), Plínio Ceccon (CFO) e Eronides Junior (CRO). Câmara, doutor em neurociência e IA, relaciona o projeto à sua pesquisa de doutorado e afirma que o desenvolvimento levou 34 meses.
Tecnologia
A Lua Vision diz ter criado tecnologia própria de inferência, o que permite rodar o modelo em chips da AMD e da Apple e evita a dependência de um único fornecedor. A arquitetura, segundo a empresa, foi desenvolvida do zero e está protegida como propriedade industrial.
O modelo foi desenhado para medir o próprio grau de certeza, checar a resposta antes de entregá-la e se recusar a responder em domínios críticos quando houver risco de erro. Kang afirma que a ambição nunca foi competir com os grandes laboratórios globais.
Ressalvas
A startup sustenta que o Genesys PI reduz alucinações, mas não é imune a erros. O escopo restrito, sem a pretensão de responder sobre qualquer assunto, é apontado pelo CTO como uma das razões para o custo menor.
Preço, prazo de implantação e tempo de desenvolvimento são informações da própria empresa e não tiveram verificação independente, conforme registra a Exame.
Fonte original: Exame — "Como essa startup brasileira quer zerar a conta por token e baratear a IA nas empresas"



