Startups

    Legitimuz lança o LegitFace, troca provedor estrangeiro por modelo próprio e mira crescimento de 40% em 2027

    A startup antifraude fundada em 2023 por dois empreendedores de 18 anos apresentou o LegitFace, tecnologia proprietária que combina prova de vida, sinais de dispositivo e contexto da operação. A empresa fatura mais de R$ 100 milhões por ano e processa cerca de 40 milhões de autenticações mensais.

    R

    Redação

    21 de agosto de 20264 min de leitura
    Legitimuz lança o LegitFace, troca provedor estrangeiro por modelo próprio e mira crescimento de 40% em 2027

    A startup antifraude fundada em 2023 por dois empreendedores de 18 anos apresentou o LegitFace, tecnologia proprietária que combina prova de vida, sinais de dispositivo e contexto da operação. A empresa fatura mais de R$ 100 milhões por ano e processa cerca de 40 milhões de autenticações mensais.

    A Legitimuz nasceu de uma reclamação. Um amigo de Kayky Janiszewski, dono de uma plataforma de pagamentos, usava uma solução de verificação de identidade que considerava ruim. Aos 18 anos, Janiszewski decidiu transformar a dor em negócio ao lado do sócio Mateus Mendes. Os dois colocaram cerca de R$ 3 milhões do próprio bolso para tirar a empresa do papel, em 2023.

    Três anos depois, a companhia fatura mais de R$ 100 milhões por ano, tem mais de 150 clientes e processa aproximadamente 40 milhões de autenticações por mês, com cerca de 150 milhões de faces vinculadas a CPFs únicos. O quadro de funcionários saltou de aproximadamente 40 para mais de 80 pessoas nos últimos meses. A projeção é crescer 40% em 2027.

    O que muda com o LegitFace

    O novo produto parte de uma premissa diferente da autenticação tradicional. Nos modelos convencionais, a prova de vida busca responder se existe uma pessoa real diante da câmera e se aquele rosto corresponde à identidade apresentada. O LegitFace mantém essa camada, mas soma sinais do dispositivo e da própria operação para avaliar o risco envolvido.

    "Provar a identidade é o início, não o fim. A biometria é parte do processo e não o processo inteiro", afirma Janiszewski, cofundador e CEO.

    Na prática, a pergunta deixa de ser apenas se a pessoa é quem diz ser e passa a incluir se aquela identidade está se comportando como deveria. Um CPF pode ser verdadeiro e o rosto também, mas celular, localização ou comportamento podem indicar que o titular está sendo manipulado — caso de alguém induzido a fazer um reconhecimento facial acreditando participar de um sorteio, quando o dado será usado para financiar um veículo em seu nome.

    Por que construir em casa

    O desenvolvimento começou em janeiro de 2025, quando a empresa já processava mais de 40 milhões de transações mensais e ainda dependia de provedores americanos de reconhecimento facial. A conclusão foi que a tecnologia estrangeira limitava a capacidade de lidar com as condições específicas do mercado brasileiro.

    Segundo a companhia, o modelo foi construído considerando aparelhos antigos, câmeras de menor qualidade, conexões instáveis e diferentes condições de uso. A empresa afirma ter treinado seus algoritmos com perfis variados, incluindo situações como vitiligo, albinismo, cicatrizes e paralisia facial, para reduzir reprovações indevidas de usuários legítimos.

    Para testar os limites da própria tecnologia, a Legitimuz montou um time de oito pessoas dedicado a atacar seus sistemas. "Temos uma sala que a gente chama de laboratório da fraude, onde temos dezenas de máscaras, impressoras, projetores, monitores e até mesmo profissionais capacitados em alteração de hardware para fazer esse tipo de ataque", diz o CEO. Os testes incluem telas de alta resolução, papel impresso, deepfakes e injeção de câmera virtual. A empresa também contratou fornecedores que monitoram tendências na deep web.

    Próximos passos

    A startup atende bancos, fintechs, empresas de crédito, marketplaces e varejistas, com foco em mercados regulados, e chegou ao ponto de equilíbrio cerca de um ano e meio após iniciar a operação. Agora quer ampliar a presença no setor financeiro e levar a tecnologia a novos casos de uso.

    Uma das apostas é a estimativa de idade pela face, que combina prova de vida e inteligência artificial para identificar se o usuário é maior ou menor de idade. Segundo Janiszewski, o produto já está pronto e em operação, com aplicação em compras de bebidas e acesso a conteúdos restritos. No longo prazo, a empresa pretende incorporar sinais de áudio e ligações à análise de risco.


    Fonte original: Exame

    R

    Escrito por

    Redação

    O portal de notícias do ecossistema de startups brasileiro.

    Fique por dentro

    Receba as principais notícias do ecossistema de startups brasileiro direto no seu email. Sem spam, apenas conteúdo relevante.

    Leia também